Pessoas e personagens
Nos 11 dias do 8º Festival de Teatro de Curitiba (FTC) centenas de atores, diretores, técnicos, jornalistas e organizadores circularam pela cidade. Muita coisa rolou em cena e, claro, nos bastidores. Agora, cada um volta para casa e retoma seus projetos.
- O autor e diretor pernambucano João Falcão trouxe para o FTC deste ano o premiado musical A Ver Estrelas, que foi apresentado terça e quarta-feira, no Sesc da Esquina. Além de falar sobre a montagem, em entrevista coletiva, ele adiantou que está com novos projetos em andamento, entre eles, um novo seriado semanal que assinará com Jorge Furtado, Guel Arraes e Adriana Falcão.
- Com o título provisório As Presepadas de João Grilo e Chicó, o trabalho foi baseado na minissérie O Auto da Compadecida, grande sucesso do gênero na televisão brasileira nos últimos anos. Neste seriado, as aventuras dos personagens criados por Ariano Suassuna serão contadas em histórias que se encerram a cada episódio. A estréia está prevista apenas para janeiro de 2000.
- Outro projeto de Falcão é a montagem de uma peça em Recife. O texto, escrito por ele e pela mulher, Adriana Falcão, fala de uma cidade fictícia no interior do Brasil. A história se passa no momento em que as pessoas estão deixando este lugar. A idéia do pernambucano é estrear o espetáculo fora do eixo cultural Rio-São Paulo.
- Questionado sobre sua preferência entre escrever para a televisão e o teatro, João Falcão disse: no teatro, a gente pode se dar ao luxo de ter um tempo maior no texto, que as pessoas não vão sair do teatro só por isso. Na TV, a gente tem que dizer tudo muito rapidamente, logo no começo, senão as pessoas perdem o interesse. E falou mais: a TV é o grande veículo nacional, é um veículo bom. O que não presta são algumas produções.
- A assistente de coreografia do espetáculo La Companhia Mínima de Ballet, Juliana Neves, parte para novas aventuras agora em abril. Ela estará estreando, como acrobata e trapezista, no novo espetáculo do Circo de Soleil, em Montreal (Canadá).
- Fazer teatro sem dinheiro no Brasil? O diretor artístico do Brasil é o dinheiro! A frase é de Antonio Abujamra, diretor de As Fúrias.
- Abujamra, como sempre, disparou sua metralhadora na coletiva à imprensa, na quinta-feira. Falou o que bem quis e provocou muitas risadas. E também deixou gente constrangida.
- Sobre o trabalho com seus atores - do grupo Os F... Privilegiados - ele observou: Eu não sou um diretor que pensa é assim!. Eu abri a minha cabeça. Eu acho que quem faz arte tem que saber de tudo. Ser ator é um aprender-se no dia-a-dia. Por isso tem que estar por dentro de tudo, saber de tudo. E não usar!
- No palco, o convívio entre as gerações é excepcional. Mas lá fora... Os atores de O Crime do Doutor Alvarenga resolveram expor suas opiniões sobre o papel da televisão na hora de levar público ao teatro. Paulo Autran, que há mais de 40 anos pisa nos palcos de Curitiba, diz não ver em que a televisão ajuda a encher teatro. Sem arrogância nenhuma, eu enchia teatro antes de fazer televisão e continuo enchendo. O que eu ganhei com a televisão foi popularidade. Antes, as pessoas também me cumprimentavam na rua. Mas hoje, elas vêm me dando tapas nas costas: E aí Paulo!
- Drica Moraes pondera e defende: Eu acho fundamental fazer televisão, não só pelo exercício de comunicação em outros meios. É uma lenha chegar ao público sem a televisão!
- Para Marilu Bueno, a televisão dá popularidade, mas não garante a qualidade do seu trabalho. Se você faz uma coisa boa, a coisa se espalha. Se faz uma porcaria, em pouco tempo todo mundo também vai estar sabendo que sua peça não presta.(J.S.)





