Pessoas comuns estão em 20 Encontros, comédia leve e divertida
São Paulo, 09 (AE) - A exemplo de "A Bruxa de Blair, "20 Encontros" aposta na fórmula do mais recente fenômeno do cinema independente norte-americano: a de dispensar atores, colocar pessoas comuns em situações extremas ou desconcertantes e tentar fazer o espectador comprar a espontaneidade das reações. A diferença é que Myles Berkowitz, diretor-roteirista-ator da nova produção, trocou o terror pela comédia romântica. Não há corre-corre ou gritaria. Só encontros e desencontros amorosos.
A partir de amanhã (10) em cartaz, depois de passagem pela 23.ª Mostra, "20 Encontros" funde dois grandes fracassos de Berkowitz, o pessoal e o profissional, em um só projeto. Como ele não consegue arrumar namorada - após enfrentar um divórcio nada amigável - e seu filme nunca sai do papel, Berkowitz decide registrar seus próximos 20 encontros em um documentário.
A idéia é realizar uma busca pela alma gêmea e, o mais difícil de engolir, é que o protagonista encontra a "garota dos seus sonhos durante o percurso cinematográfico. E a chegada da ms. Right, uma designer de interiores, acaba ditando o conflito da história.
Como Berkowitz ainda tem de terminar a produção, ele corre o risco de perder o que conquistou. A namorada fica com ciúmes ao acompanhar a saga do amado até completar o 20.º encontro. O filme ainda registra o protagonista tendo problemas com o agente e o produtor - que insiste em inserir mulheres peitudas e sexo no título.
Autopromoção - Apesar de Berkowitz ser um pouco enjoativo, do tipo que não pára de falar de si mesmo, o resultado é um filme leve e, por vezes, divertido. A proposta de fazer o espectador acreditar que todo o material é fruto da espontaneidade não chega a incomodar. Se todas as cenas são mesmo reais por que o diretor não mostrou a mão, aquela que teria levado 20 pontos após uma mulher enfurecida descobrir que estava sendo filmada sem seu consentimento em um restaurante?
O filme talvez seja apenas uma obra de autopromoção, em que Berkowitz tenta vender o seu peixe. O seu maior mérito é o de satirizar o mecanismo dos encontros entre homens e mulheres, principalmente do chamado blind date (quando a dupla não se conhece e o encontro é marcado por terceira pessoa). Intencionalmente ou não, o título enfoca o lado menos atraente da solteirice em Los Angeles. Uma mulher casada e com filho chega a declarar: "Vendo o que as minhas amigas solteiras têm de aguentar hoje em dia, chego à conclusão de que não estou perdendo nada.





