Pesquisadores lançam livro sobre o uso de IA no rádio
Obra chega ao público na semana em que se comemora o Dia Mundial do Rádio, em 13 de fevereiro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
Obra chega ao público na semana em que se comemora o Dia Mundial do Rádio, em 13 de fevereiro
Organizada por Nélia Del Bianco e o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) Alvaro Bufarah, o livro é a primeira coletânea da Rede de Pesquisa em Jornalismo Sonoro (Radiojor/SBPJor), criada em 2019 com a missão de consolidar o campo de estudos do jornalismo sonoro no país. A obra chega ao público na semana em que se comemora o Dia Mundial do Rádio (13 de fevereiro), instituído pela UNESCO para reconhecer a relevância social, cultural e democrática do meio.
Todo simbolismo da data não é coincidência. Se o Dia Mundial do Rádio reafirma o papel histórico do meio na promoção da informação e da cidadania, o lançamento da obra evidencia que essa relevância passa, hoje, pela compreensão crítica das tecnologias que estão redefinindo a produção, a circulação e a escuta da notícia.
A inteligência artificial já integra rotinas de emissoras e produtoras por meio de transcrição automática, síntese de voz, edição assistida, geração de roteiros e personalização de conteúdos. Ao mesmo tempo em que amplia eficiência e possibilidades narrativas, a automação introduz dilemas inéditos sobre autoria, credibilidade, transparência editorial e vínculo afetivo — especialmente em um meio cuja força reside na intimidade da voz e na construção de confiança com o ouvinte.
Esta coletânea reúne onze pesquisas que analisam como a IA impacta o jornalismo sonoro no Brasil e no exterior. O capítulo de abertura apresenta um panorama internacional dos riscos da automação, discutindo precarização do trabalho, dependência de plataformas digitais e ameaças à diversidade informativa. Em seguida, um estudo mapeia as principais ferramentas já utilizadas nas redações brasileiras, apontando ganhos operacionais e desafios éticos ligados à padronização de conteúdos e ao uso de bases de dados.
Casos concretos ilustram essas transformações. Um dos capítulos examina o uso de IA na restauração e reconstrução de áudios históricos no podcast A Ditadura Recontada, problematizando os limites entre memória documental e recriação artificial. Outro analisa a experiência da CBN com clonagem de vozes de ouvintes, levantando questões sobre representatividade e diversidade sonora. O livro também investiga os impactos da automação no jornalismo local, em emissoras consolidadas como Rádio Gaúcha e Jovem Pan, e em rádios educativas, destacando ganhos de agilidade, novas pressões produtivas e a necessidade de protocolos éticos claros.
A pandemia de Covid-19 surge como marco acelerador da adoção tecnológica nas redações radiofônicas, enquanto os capítulos finais discutem experiências internacionais com podcasts produzidos integralmente por vozes sintéticas, aprofundando o debate sobre autoria, credibilidade e a urgência de mecanismos de transparência na identificação de conteúdos gerados por IA.
Em um cenário de automação crescente, Jornalismo Sonoro e Inteligência Artificial se posiciona como referência inédita para pesquisadores, jornalistas, gestores e estudantes que buscam compreender — e orientar — o futuro do jornalismo em áudio no Brasil.
* Com assessoria.
SERVIÇO
Jornalismo Sonoro e Inteligência Artificial: inovação, impacto, riscos e dilemas éticos.
Organizadores: Nélia Del Bianco e Alvaro Bufarah
Rede responsável: Rede de Pesquisa em Jornalismo Sonoro (Radiojor/SBPJor)
Editora Fi - Acesso Aberto


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