Outra pesquisadora que se dedica ao fandango é a atriz Maria de Lourdes da Silva Brito. Ela está procurando patrocinadores para um projeto aprovados pelas leis de incentivo à cultura Rouanet e Municipal para editar um livreto sobre os ''causos'', artesanato, construção de instrumentos e culinária da região de Guaraqueçaba.
Segundo essas pesquisas, Maria de Lourdes apurou que durante o fandango os participantes alternam as danças em valsados batidos. Dos valsados (modas, dandão e chamarritas) participam todos aqueles que qurem bailar ao som de duas ou mais violas, uma rabeca e um adufe (pandeiro). Os cavalheiros convidam as damas que estão em outro cômodo da casa e rodam aos pares pelo salão e ao terminarem as damas saem rapidamente do salão.
O batido ou rufadinho é uma dança mais complexa praticada por homens e mulheres a partir de observações e dos ensinamentos dos mais velhos e somente as damas que sabem fazer as evoluções e a sequência dos passos entram na roda. Cada moda batida possui diferentes marcas tamanqueadas.
Os instrumentos são afinados de ouvido, as letras da modas são inventadas pelos violeiros e memorizadas por todos, e geralmente, falam de amor, amizade e saudade como este trecho do mestre Leonildo Pereira, de Rio dos Patos:

''Acabou o meu amor
Que era meu maior empenho
Eu vou, eu vou
Porque sentimento eu tenho
Eu vou pro interior
Aqui nunca mais eu venho
Aqui nunca mais eu venho...''

Assim é o fandango da Família Pereira. Cheio de força no assoalho de canela e na memória dos guaraqueçabanos, e resistindo por pura teimosia. (E.M.C.)

mockup