São Paulo - A guerra dos americanos e ingleses contra o Iraque fez com que o escritor Douglas Camargo Pinto intensificasse suas pesquisas. Apesar da pouca idade, 23 anos, ele estuda com afinco a participação brasileira na 2 Guerra Mundial, especialmente a dos expedicionários na Itália. E um aspecto despertou sua atenção: a atitude dos pracinhas brasileiros em perdoar os alemães, poupando-lhes a vida, ao contrário da decisão do exército de outras nações vencedoras.
''Descobri que alguns americanos gostavam de humilhar os derrotados'', conta Camargo Pinto, decidido a escrever o livro ''Heróis Brasileiros 2 - A Verdadeira História que o Mundo Esqueceu''. Trata-se do segundo volume de uma coleção, iniciada por um livro com depoimentos dos ex-combatentes.
Morador da cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, ele descobriu vários ex-soldados também vivendo na região, a maioria disposta a relembrar suas histórias. ''Cada um teve uma experiência muito particular e as lembranças continuam muito vivas.''
Camargo Pinto conta que os ex-combatentes eram devotos de Nossa Senhora, o que os tornava mais complacentes com os inimigos. ''Depois da guerra, houve a rendição de 25 mil soldados alemães e, sempre que podiam, eles preferiam entregar as armas aos pracinhas brasileiros'', conta o escritor que, como na pesquisa para o livro anterior, coletou depoimentos dos vários soldados que moram na região. ''Consegui estabelecer contato também com pessoas de outras regiões, como o Rio e o Piauí.''
Segundo o pesquisador, muitos dos ex-combatentes escreveram livros e diários particulares, em que fornecem detalhes de sua participação na guerra. ''Como não querem que isso se perca com o tempo, eles têm enorme prazer em compartilhar suas histórias'', comenta.
Além da produção literária envolvendo a participação brasileira na guerra, Douglas Camargo Pinto continua o trabalho de captação para realizar um curta-metragem, que deverá ter duração de 15 a 20 minutos e no qual pretende misturar ficção com realidade, a partir do depoimento dos ex-combatentes. Ele divide a produção com Marcelo Domingues que, além de dirigir o filme, é co-autor do roteiro.
''Já temos uma versão pronta da história e também boa parte da pesquisa das locações na região de Sorocaba, onde queremos recriar as cenas'', conta Camargo Pinto. ''O ideal seria filmar também na Itália, onde ocorreu a maioria das histórias contadas pelos soldados, mas isso encareceria muito o projeto.''
A dupla procura ainda um técnico em efeitos especiais para comandar as cenas em que será recriado o ataque com bombas. ''Estamos ainda na dependência de patrocínio'', conta o escritor. Os interessados em participar do projeto devem contatá-lo pelo telefone (15) 222-1735.

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