Pode não parecer à primeira vista, mas a comida do dia a dia está intimamente relacionada aos avanços tecnológicos na produção de alimentos. Conseguir produtos com mais proteínas, menos calorias e maior produtividade sem degradar o meio ambiente fazem parte de um dos mais importantes desafios do século 21: acabar com escassez de alimentos e torná-los acessíveis a todos os 6 bilhões de pessoas que ocupam hoje o planeta Terra, o que passa também inevitavelmente por uma melhor distribuição de renda. Estudos atuais da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) apontam que cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome de forma crônica e estima-se que a cada sete segundos uma criança morra de fome no mundo.
Chamando a atenção para a importância das pesquisas na área de produção de alimentos, o programa Embrapa & Escola chega ao seu oitavo ano de atuação, levando informação e conhecimento para milhares de alunos que participam do projeto corporativo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aplicado nas 41 unidades da instituição espalhadas por todo o Brasil. Em Londrina, a Embrapa Soja estima totalizar até o final do ano mais de 40 mil alunos participantes desde o início do projeto. A partir deste ano o programa passou a enfocar apenas alunos da quarta série de escolas municipais, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.
Na última quinta-feira, foi a vez de 29 alunos da Escola Municipal Professor José Gasparini. No auditório da empresa, eles participaram de uma palestra com o coordenador do projeto Fábio Rogério Ortiz, que de maneira coloquial e descontraída provocou alguns questionamentos pertinentes para a apresentação do tema da visita. Depois assistiram ao vídeo de animação ''Em busca das sementes roubadas'', produzido pela Embrapa de Brasília, que mostra de maneira lúdica e divertida o quanto o avanço das pesquisas nas áreas da agricultura e pecuária afeta o cotidiano das pessoas: como a comodidade de comer melancia e uva sem sementes, o algodão que já nasce colorido, o abacaxi em gomos e até o porco light, com menos gordura.
Após a exibição do vídeo, o coordenador Ortiz deu mais informações complementares sobre os assuntos abordados e ressaltou que de todos os elementos que compõem a natureza, o homem é o que mais a modifica e por isso mesmo o que deve ter mais cuidado e responsabilidade em suas ações. Também foram entregues aos alunos pastas com jogos educativos relacionados ao trabalho de pesquisa da Embrapa e um kit de livros temáticos sobre conscientização ambiental para a biblioteca da escola. Os alunos também foram convidados a elaborar um desenho sobre a visita que poderá ser selecionado para fazer parte do calendário institucional de 2010.
Durante o intervalo, os alunos comeram bolachas de soja com coco. A maioria nunca havia experimentado algum produto à base de soja. ''Que delícia'' e ''que gostoso'' foram os comentários, embora o que predominou no lanche improvisado foram os salgadinhos industrializados trazidos pelas crianças. ''Fiquei impressionada com a quantidade de salgadinhos que trouxeram para o passeio e tive até uma conversa com eles antes de saírmos da escola. Li com eles os rótulos das embalagens e mostrei o quanto é alta a quantidade de sal e gordura desses produtos'', comenta a professora Sueli Aparecida Oliveira.
Sobre a visita, ela informou que será feito um trabalho complementar na sala de aula destacando o que foi mais relevante. ''Foi a primeira vez que viemos aqui. Vamos fazer um painel de fotos e achei interessante os livros doados para a biblioteca, pois os alunos poderão se aprofundar nos temas levantados'', pontua.
Após o rápido intervalo, os alunos seguiram rumo a uma das casas de vegetação instaladas na instituição. Lá, foram recebidos pelo técnico agrícola Alan Misael Flausino que falou um pouco das pesquisas sobre doenças das plantas. E explicou que condições ideais de temperatura e umidade são criadas para facilitar a pesquisa, o que diferencia essa estrutura de uma estufa, que apenas conserva o calor.
No interior da casa de vegetação, em uma temperatura bem agradável, os alunos puderam observar os 1.500 vasos de plantas de soja que possuem a fitopatologia ferrugem asiática, ainda de difícil controle. Comparando folhas saudáveis e doentes, os alunos puderam perceber que a vegetação sadia consegue fazer mais fotossíntese. No ambiente ideal, um exaustor permite a renovação constante do ar, que passa por uma parede vazada composta de argila expandida umedecida, garantindo frescor ao ambiente controlado por um sensor. No final, os alunos ainda se deliciaram com a simulação do orvalho - o popular sereno -, empolgando-se com as gotículas de água tão necessárias à preservação da vida vegetal.

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