PESQUISA - O mundo de Lobato
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de janeiro de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
''Fui mexer na minha tremenda papelada epistolar e tonteei. É coisa demais. É um mundo''. O espanto de Monteiro Lobato (1882-1948) para com seu próprio arquivo de cartas, trocadas ao longo dos anos com parentes e amigos, poderia ser transportado sem retoques para descrever a reação dos pesquisadores diante de sua volumosa correspondência.
A professora Neide Munhoz Albano, uma apaixonada pela obra do criador do ''Sítio do Pica-Pau Amarelo'', não resistiu ao fascínio das missivas. Escolheu a obra ''A Barca de Gleyre'' como objeto de investigação para sua dissertação de Mestrado, apresentada no ano passado no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem na Universidade Estadual de Londrina.
''A Barca de Gleyre'' reúne a correspondência de Lobato com o escritor mineiro Godofredo Rangel (amigo seu desde os tempos de estudante de Direito no Largo São Franciso, em São Paulo) entre 1903 e 1943. Foi publicada em dois volumes em 1964. ''Essas cartas concentram alto conteúdo informativo abrangendo dados históricos, revelações sobre a arte de escrever e o comportamento filosófico do autor'' diz Neide.
As duas coletâneas, segundo ela, constituem a biografia do escritor trazendo à luz seus desejos, frustrações e aspirações. ''Está tudo ali: as modificações que fez em seus livros, o que pensava sobre o modernismo, além de descrições de Nova York (onde trabalhou como adido cultural), São Paulo (onde morou) e do Vale do Paraíba (onde nasceu). Através dessas cartas podemos interpretar a geografia, a história e a literatura da primeira metade do século'' acredita a pesquisadora.
Leia mais sobre o assunto na página 2 e 3.


