PESQUISA - Escolas incentivam jovens cientistas
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segunda-feira, 07 de abril de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
O ensino de Ciências nas escolas está deixando de ser rotineiro, chato, pouco útil e difícil. Colégios vêm implantando há alguns anos a disciplina de iniciação científica, valorizando o experimento científico no cotidiano escolar. Embora o investimento em pesquisa no Brasil caminhe a passos lentos - há 10 anos a fatia do Produto Interno Bruto (PIB) destinada à Ciência está em menos de 1% - tem-se a consciência de que incentivar a produção científica desde cedo contribui para o desenvolvimento do País e o alcance da cidadania. ''Há uma tendência nacional de modificação do caráter das Feiras de Ciências no qual os alunos estão deixando de realizar experimentos sem critérios, para produzir pesquisa, com todo o rigor do método científico'', aponta o coordenador de iniciação científica do Colégio Interativa, em Londrina, Fábio Luiz Bruschi.
Há oito anos o Colégio Interativa implantou a disciplina de iniciação científica na grade curricular dos alunos de 4 a 8 séries e, principalmente nos últimos três anos, os alunos têm recebido importantes premiações em eventos científicos. Este ano três produções foram classificadas para a etapa final da 6Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada de 11 a 13 de março na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). A Febrace é uma feira anual para estudantes do último ano do Ensino Fundamental e estudantes do Ensino Médio e Técnico de escolas públicas e particulares de todo o Brasil. Os projetos podem ser inscritos nas áreas de Ciências (Exatas e da Terra, Biológicas, da Saúde, Agrárias, Humanas e Sociais) ou da Engenharia e suas aplicações.
Ana Flávia Freitas Ponce, 14 anos, e Marina Fonseca de Faria Haas, 15 anos, alunas do 1º ano do Ensino Médio, classificaram-se como finalistas na área de Ciências Humanas e Educação com a pesquisa ''Os Mangás como Instrumento Didático para o Ensino da Língua Portuguesa''. ''O objetivo do estudo é utilizar o mangá (gênero de quadrinho oriental) como um instrumento facilitador na compreensão da Língua Portuguesa e como um meio de incentivar a leitura'', explica Marina. Segundo as estudantes, a pesquisa começou há um ano e foi desenvolvida como uma atividade extracurricular tomando várias tardes das adolescentes. ''A experiência na Febrace foi muita rica porque os avaliadores nos repassaram orientações. A próxima etapa do projeto é aplicar um questionário sobre o uso do mangá em escolas estaduais'', planejam as jovens pesquisadoras.
''Análise da Biodiversidade da Água de Londrina, após a Utilização e o Tratamento do seu Esgoto'', de Júlia Raimundo de Carvalho, 14 anos, também do 1º ano, recebeu o Prêmio Editora Galileu Galilei e a classificação para participar como finalista na 23 Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), a ser realizada na cidade de Novo Hamburgo (Rio Grande do Sul), em novembro. ''Trabalhei com uma questão atual, a sustentabilidade. Agora pretendo levar o meu estudo à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) e uni-lo ao ''O Rio da Minha Rua'' (projeto municipal cujo objetivo é estimular a defesa e preservação do manancial hídrico de Londrina)'', projeta a estudante.
Veterano na participação de feiras de ciências, Lucas Marder de Oliveira Reis, 16 anos, do 3º colegial, abocanhou quatro prêmios (3º melhor relatório monográfico, 3º melhor estande, 1º lugar - Prêmio Marinha do Brasil - Mentalidade Marítima e 1º lugar individual Ciências Exatas e Terrestres obtendo vaga na delegação brasileira que irá à Feira Internacional Intel- Isef, em Atlanta (Geórgia, Estados Unidos). Intitulada ''Levantamento da Diversidade Planctônica do Litoral Paranaense: ferramenta para análise da integridade biótica'', a pesquisa é desenvolvida há três anos e já premiou o estudante em outras feiras nacionais.
''O projeto-piloto começou em 2005 com a análise da qualidade da água da Ilha do Mel. Posteriormente, estendeu-se às 16 praias do litoral paranaense. As coletas foram feitas no inverno e o resultado coincidiu com o teste de balneabilidade realizado pelos órgãos ambientais. Constatei que o meio ambiente não está conseguindo se recuperar dos impactos sofridos principalmente no verão, devido aos dejetos da rede de esgoto que são lançados direto no mar'', explica. No período de 11 a 17 de maio Lucas estará nos Estados Unidos participando da Intel-Isef com um dos nove projetos da delegação brasileira. ''Sei que os trabalhos americanos levam a maioria dos prêmios porque há um grande incentivo à pesquisa. Tentarei apresentar em inglês para ter mais chances'', comenta.
Os estudantes frisam que o apoio logístico oferecido pela escola (professores, laboratórios, fomento à pesquisa por meio do Simpósio Interativa de Tecnologia e Ciência - Sitec) foram fundamentais para o desenvolvimento dos projetos. ''A iniciação científica é o diferencial do colégio. Não precisamos focar apenas nas Ciências Biológicas, mas também em Humanas, Exatas. Até a 8 série todos os alunos precisam apresentar uma monografia. Isso já é uma preparação para a faculdade'', ressalta Júlia.
Por outro lado, destaca o coordenador de iniciação científica, a responsabilidade e a disciplina destes jovens cientistas são primordiais para o sucesso dos projetos. ''Os resultados sempre me surpreendem. Percebo que os que se envolveram com a pesquisa científica estão mais disciplinados, responsáveis, possuem mais clareza de como estudar e são mais seguros em relação ao futuro profissional'', revela Bruschi. ''Quero ser oceanógrafo'', comprova Lucas.


