Os amantes da pesca esportiva e que planejam desestressar às margens do Rio Negro, no Amazonas, na temporada de pesca que vai de outubro à dezembro, devem começar a se agilizar. Já estão sendo formados os grupos que sairão de Londrina para essa aventura de seis dias no meio da mata amazônica.
Conforme Ricardo Okada, da Continental Tour, o destino é tão procurado que muitos praticantes da pesca esportiva reservam seus lugares com um ano de antecedência, o que faz com que as ''vagas'' fiquem escassas. ''Temos que reservar os barcos e todos têm que ter o mesmo padrão, com ar-condicionado, TV, telefone por satélite'', elencou Okada. Os grupos - de quatro a cinco por temporada - são de no máximo 15 pessoas. ''O Amazonas é o sonho de qualquer pescador.''
A preocupação é manter o conforto dos turistas. Para chegar ao Rio Negro, nas imediações do município de Barcelos, são dez horas em um vôo comercial até Manaus, onde passam a noite. Da capital amazonense, eles embarcam em um avião fretado por mais 1h20 e somente então, são acomodados no barco onde irão permanecer por quatro dias de muita pescaria. Além do conforto proporcionado pela tecnologia, os barcos com suítes para duas pessoas, ainda contam com cozinheiras e pilotos, que auxiliam os pescadores pelos mais de 200 quilômetros ''rio acima'' por dia.
Entre os que optam por esse pacote turístico, a maioria é profissional liberal. Segundo Okada, o esporte também vem atraindo muitas mulheres. ''Este último grupo que foi no ano passado era só de casais. A (apresentadora de TV) Ana Maria Braga está difundindo muito o esporte entre as mulheres'', disse.
Para os pescadores, as principais atrações do Rio Negro são os tucunarés e as piararas. ''O pessoal da pesca esportiva vai atrás do tucunaré. Já pegamos tucunarés de 13 quilos e piararas de 60 quilos'', contou Okada.
Mesmo no período de pesca, não é permitido ao turista ''levar para casa'' os ''troféus'' fisgados durante a viagem. Restam ao pescador as fotos e a lembrança. ''Na nossa região os maiores tucunarés têem 3 quilos. Lá já peguei de 7, 8 quilos. É uma sensação indescritível'', relatou o cirurgião dentista Walter Fujii.
Amante da pesca desde a infância - herança de pai para filho - Fujii elegeu o esporte como principal lazer. ''O meu lazer mesmo é a pescaria. A parte mais importante é que você esquece do mundo, do trabalho, conhece lugares novos. Não é para trazer o peixe. O prazer é de conhecer o lugar e pescar'', disse.
Entre as pescarias inesquecíveis, Fujii recorda um jaú de 65 quilos fisgado há sete anos no Rio Paraná. ''Tinha cerca de 1m70 e era mais pesado do que eu. Foram mais de duas horas para retirar da água.''
O cirurgião plástico Evaldo Ogata também recorre à pescaria para fugir do estresse urbano. ''A pescaria, para quem vive a correria do dia-a-dia, é muito saudável. O mais importante é o contato com a natureza, alivia o estresse. É um esporte ao ar livre, em que se unem os amigos, e é uma atividade em que todo mundo é igual, independente da atividade que exerce.''
O custo dos equipamentos e dos próprios pacotes podem dificultar a prática da pesca esportiva. Os seis dias de viagem ao Amazonas, incluídos transporte, hospedagem, alimentação, bebidas e iscas, saem por R$ 5 mil. Além da viagem, o pescador tem que levar equipamentos que variam para cada tipo de peixe. Uma carretilha, por exemplo, custa cerca de R$ 1,8 mil; iscas artificiais (as preferidas dos tucunarés) de R$ 80 a R$ 100 cada uma; e as varas de R$ 500 a R$ 600.
Mas, para os pescadores entrevistados, o custo não impede a prática da pesca esportiva. ''Existem várias maneiras de se pescar. Se quiser pescar no Igapó, por exemplo, usa-se equipamento leve e para cada tipo de peixe é um equipamento. Se quiser pescar na região não sai caro'', assegurou Fuji. ''Não precisa viajar para longe para ir pescar. Temos várias opções por perto, como o Tibagi. Há opções para todos os tipos de gosto e de bolso'', complementou Ogata.

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