A natureza pulsa nos quatro cantos da Ilha do Cardoso. Na parte habitada a vegetação é de restinga, procurada por muitas aves locais e migratórias. Nas encostas predomina o mangue com a convivência de caranguejos, outros crustáceos e aves. Já os morros são recobertos por uma mata densa semelhante a da serra do mar. Mas é a fauna marinha que leva até a ilha pesquisadores e pescadores - profissionais e amadores - de várias partes do país. O ano todo pode-se pescar em quantidade tainhas, robalos, carapevas e paratis, uma espécie comum naquela área.
A pesca em abundância também garante a sobrevivência das famílias que habitam a ilha fora da temporada de férias. Preocupados com a ocupação ilegal, com a invasão desenfreada de turistas e com o crescimento da população da ilha, os moradores seguem uma ‘‘Proposta de Plano de Utilização’’ que proíbe a prática do comércio por pessoas não tradicionais e delimita a quantidade de alojamentos por residência. ‘‘É um processo de contenção natural. Temos interesse em preservar a natureza’’, diz Ezequiel de Oliveira, típico morador do Cardoso.
Famílias como a de Ezequiel ocupam a ilha em regime de comodato pelo prazo de 99 anos o que impede a venda ou locação de imóveis. Também está em estudo a organização do camping comunitário, que acaba com a divisão atual em que cada morador aluga o seu espaço e reverte os lucros em benefícios para a colônia.
Fiscalizada pelo Instituto Florestal da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, a Ilha do Cardoso sofre as consequências de uma vigilância deficitária. ’’O único fiscal do IF que pode ajudar, às vezes fica três semanas sem ser encontrado‘‘, reclama ‘‘seo’’ Ezequiel.
A deficiência na fiscalização facilitou algumas invasões que já modificaram a paisagem de pequenas partes da ilha, como é o caso de uma construção no extremo leste de Marujá. A vida dos pescadores nativos do Cardoso é assim: no verão recepcionam turistas, nas outras partes do ano vivem dos benefícios do mar, mas nunca esquecem da luta contra a depredação da natureza e a exploração da terra em que criam seus filhos.

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