Pés na selva com todo conforto
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terça-feira, 08 de abril de 2003
Agência Estado 
O dia começa a amanhecer e uma espessa neblina esconde as copas das árvores seculares. Enquanto o grupo invade a densa floresta, o sol nasce e seus feixes de luz penetram pelo vão das folhagens deixando à vista um cenário típico da Amazônia: flores coloridas, samambaias, palmeiras de diversas espécies, emaranhado de cipós. O chão é coberto por folhas e galhos que formam, em alguns trechos, uma camada de até 50 centímetros de altura.
Durante a caminhada, araras passam gritando e macacos espiam, do alto, os aventureiros suando a camisa para vencer a vegetação. Não é nada fácil fazer um trekking em plena selva. Os mosquitos avançam o tempo todo e é preciso muito cuidado para não se ferir com os espinhos.
A imagem de turistas na Amazônia é sempre a mesma: gringos dentro de barcos observando a fauna e a flora do leito de grandes rios, bonitos de ver, mas inóspitos. Nada convidativos para o banho. A proposta de Alta Floresta, localizada a 800 quilômetros ao norte de Cuiabá, é diferente. De mochila nas costas, binóculos em punho e olhos bem abertos, os turistas colocam o pé na selva embrenhando-se em caminhadas idílicas.
O destino pode ser um rio de águas cristalinas, uma praia de areias alvas, uma deslumbrante cachoeira ou, simplesmente, entrar em contato mais íntimo com o universo úmido quente, cheio de vida e de luz da maior floresta tropical do planeta.
Outra vantagem: diferentemente dos rios amazônicos, aqueles que serpenteiam a região de Alta Floresta são menores e mais acolhedores. Basta apenas um pouco de coragem para banhar-se nas águas cristalinas e refrescar o corpo do suor das caminhadas.
Toda essa beleza ainda é pouco visitada pelo grande público. E o turismo fica restrito a dois hotéis: o Cristalino Jungle Lodge, à beira do Rio Cristalino, e a Pousada Thaimaçu, às margens do São Benedito. Ambos recebem grupos de até 30 pessoas. Preferem apostar num serviço personalizado e no isolamento em meio à natureza selvagem, bem longe da civilização. Mas, além de trilhas na mata e passeios de barco, os hotéis garantem mordomias como ar-condicionado, banho quente, luz elétrica e boa comida. Um luxo para relaxar e recompor as energias para novas aventuras na floresta.
Terras altas Alta Floresta fica no extremo norte do Estado de Mato Grosso, quase no Pará, perto da Serra do Cachimbo, nas terras altas da Amazônia meridional, entre os rios Teles Pires e Juruena que, juntos, formam o Tapajós, um dos maiores tributários do Amazonas.
Lá, sobram bromélias, orquídeas, samambaias, flores, líquens, fungos, musgos e filodendros, que se misturam a uma dezena de espécies de palmeiras nativas como o açaí e árvores enormes como castanheiras, mognos, ipês, cedros, paineiras e figueiras. A rica vegetação garante o alimento dos bichos, entre eles, cotias, pacas, antas, veados, preguiças, capivaras, queixadas, jacarés e diversos tipos de macacos. A presença de onças, animal que encabeça a cadeia alimentar, comprova o bem-estar desse ecossistema.
A região é um paraíso da biodiversidade, onde já foram catalogados centenas de insetos, mais de 80 espécies de borboletas e 400 de aves, incluindo araras, tucanos, biguás, tuiuiús, papagaios e a rara e pré-histórica cigana, considerada um elo vivo entre os répteis e os pássaros, um dos motivos pelo qual ornitólogos do mundo todo procuram a região.
Nos rios a vida também é abundante: tucunarés, piraíbas, jaús, matrinxã, pacus e dourados, além das piranhas, são facilmente encontrados.
A época mais indicada para visitar Alta Floresta é durante o período da seca (de maio a outubro), quando baixa o nível dos rios e formam-se as praias fluviais. De novembro a abril chove bastante: lama e rios cheios tornam as viagens mais difíceis e a natureza ainda mais selvagem.
Serviço
Cristalino Jungle Lodge (66) 521-3601
Pousada Thayamaçu (66) 521-3587


