Persuasão da narrativa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
Os contos do escritor paulista João Carrascoza têm entusiasmado a crítica. Seu livro mais recente, ''Espinhos e Alfinetes'', recebeu elogios empolgados - e o anterior, ''O Volume do Silêncio'', foi contemplado em 2007 com o Jabuti, o prêmio literário de maior prestígio no País.
Carrascoza é um dos convidados da 30 Semana Literária promovida pelo Sesc de Londrina. Ele participa hoje, às 19h30, da mesa redonda ''Literatura e Sedução'' ao lado dos autores locais Maurício Arruda Mendonça e Edson Holtz. Nascido em Cravinhos (SP), em 1962, mora em São Paulo onde é professor da Escola de Comunicação e Artes da USP e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Durante duas décadas, trabalhou como redator publicitário em grandes agências do País. Paralelamente, sempre escreveu contos (para adultos) e novelas infantojuvenis como ''O menino que furou o céu'' (2005), ''O homem que lia as pessoas'' (2007), ''Meu avô espanhol'' (2008) e ''Prendedor de sonhos'' (2010).
Além do citado Jabuti, conquistou outros prêmios ao longo da carreira, entre eles o Prêmio Eça de Queiroz (1997), Prêmio J.J. Veiga (1995), Prêmio Guimarães Rosa/Radio France Internationale (1993), Prêmio Concurso Nacional de Contos do Paraná (1992) e Prêmio Concurso Nacional de Histórias Infantis do Paraná (1991).
Seu colega de mesa, Maurício Arruda Mendonça, é londrinense, poeta, tradutor e dramaturgo. Foi professor de Teoria e História do Teatro e Coordenador da Escola Municipal de Teatro de Londrina. É Mestre em Letras pela UEL e atualmente cursa o doutorado em Letras desta mesma instituição.
Edson Holtz Leme, por sua vez, é graduado em História pela Universidade Estadual de Londrina, especialista em Arquivologia (USP) e Gestão Universitária (UEL). Atualmente é doutorando em História Social (UNESP). É autor do livro ''Noites Ilícitas''.
Serviço
Mesa redonda ''Literatura e Sedução'' - Semana Literária do Sesc
Quando - hoje às 19h30
Local - Sesc (Rua Fernando de Noronha, 264)
Entrada - gratuita
Informações - (43) 3378-7800 e www.sescpr.com.br
ENTREVISTA - JOÃO ANZANELLO CARRASCOZA
A mesa redonda em que você participa hoje traz o tema ''Literatura e Sedução''. Quais são suas ''armas'' para atrair e transportar o leitor para o mundo de seus personagens?
Só existe um jeito, ao meu ver, de gerar aquilo que Tolstói chamava de contágio: construir, por meio de uma linguagem singular, um universo ficcional no qual a substância humana seja invariavelmente a protagonista da história.
Vários autores brasileiros hoje consagrados surgiram durante o célebre ''boom'' do conto na década de 1970. O gênero continua cativando novos talentos literários e novos leitores no País?
O conto é um gênero que exibe plena vitalidade atualmente. As ''pequenas'' narrativas que, no entanto, contêm imensos territórios de poesia, nunca saíram da moda.
Além de narrativas adultas, você escreve obras na categoria infanto-juvenil. Quais são as exigências desse segmento de leitores? Você reafirma ou contesta a noção recorrente de que ''jovem não lê'' no Brasil?
Todo leitor, independentemente de sua idade, busca, pela leitura, a imersão num microcosmo imaginário. Não tenho dados para afirmar que o jovem não lê. Mas vale lembrar que o jovem, assim como qualquer um de nós, não faz só a leitura da palavra. Faz também a sua leitura de mundo.
Tem algum livro no prelo? Quais são seus projetos literários atuais?
Nas próximas semanas, lanço um novo livro de contos pela editora Record, ''Amores mínimos''. E, no momento, estou escrevendo o romance ''Aos sete e aos quarenta'', cujo projeto foi premiado com uma bolsa de criação literária pelo Programa Petrobras Cultural.


