PERSONALIDADE - A aritmética do amor, segundo Fernanda Young
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 2004
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba Pode um grande amor, quando frustrado, transformar-se em maldição? Essa é a pergunta inicial de ''Aritmética'', sexto livro de Fernanda Young, especialista em produções sobre relações afetivas. A autora, bastante conhecida pelos seus trabalhos televisivos em ''Os Normais'' e ''Comédia da Vida Privada'', esteve ontem em Curitiba para uma sessão de autógrafos e falou a respeito de seu novo material com a reportagem da Folha.
Perguntada sobre o que, basicamente, trata ''Aritmética'', Fernanda não pensou duas vezes para responder. ''Amor. Nunca tive tanta coragem de resumir um livro de forma tão precisa.'' A história começa quando um escritor consagrado, João Dias, apaixona-se perdidamente por uma mulher chamada América. Depois de um dia juntos, ambos estabelecem uma regra: o segundo encontro seria dentro de um mês, o terceiro em dois meses, o próximo em quatro meses e assim sucessivamente. ''No decorrer da narrativa, você percebe que o personagem tem um amor rancoroso. Os personagens acabam sendo amaldiçoados. A aritmética serve para tentar encontrar uma equação, uma explicação racional para o amor com histórias que se repetem'', explica Fernanda.
A autora diz que o livro além da diferença estrutural na linguagem, é lógico difere de seu trabalho na tevê principalmente por causa do humor. ''Na tevê eu trabalho mais com o humor. Quando escrevi meu primeiro livro, aos 25 anos, fazia um humor gargalhante. Depois de amadurecer, minha literatura foi ficando mais técnica, menos intuitiva, mas faz parte do processo. Esse livro não é gargalhante, tem um humor mais seco, mais ácido'', define.
Com um estilo rápido, fluente e ao mesmo tempo introspectivo, Fernanda diz que tentou manter a fidelidade ao público que acompanha seus livros há oito anos, principalmente na espontaneidade com que a trama é narrada. ''Os personagens foram surgindo naturalmente. Acho que com o amadurecimento posso fazer arte com técnica, disciplina mas que tenha verdade.'' Seus trabalhos são repletos de referências a cultura pop. ''Leio muito, gosto muito de poesias, de Nick Hornby, Virginia Wolff, Oscar Wilde, de autores ingleses. Sou muito curiosa, também vivo lendo livros de ciência, física, religião. Acho que sou totalmente típica da minha geração, 'filhos da revolução, geração coca-cola'. Ouço Nirvana, Foo Fighters, Portishead. Vejo muita televisão, sou viciada nos sitcoms (comédia de situação) e programas ingleses'', afirma.
E muito disso acabou sendo introduzido em seus roteiros mais conhecidos, como no seriado ''Os Normais'', que chegou aos cinemas no ano passado. Com o programa global, Fernanda obteve grande reconhecimento do público e crítica mas, segundo a roteirista, era hora de parar com o seriado, que terminou em sua terceira temporada. ''Eu, o Alexandre (Machado, o segundo roteirista) e o Alvarenga (José Alvarenga Jr., diretor) queríamos fazer outras coisas. Mas pretendo revisitar o Rui e a Vani de novo, pra mim eles continuam vivendo suas vidas e já temos um segundo filme para mostrar o que está acontecendo com os dois.''
Fernanda continua com programas televisivos, como o ''Saia Justa'', voltado para o público feminino na tevê paga, e o ''As 50 Leis do Amor'', exibido no Fantástico. A autora afirma que já tem um novo seriado engatilhado. ''Fizemos um episódio-piloto mas ainda falta acertarmos os últimos detalhes. Será um sitcom chamado 'Esculhambação', que vai acontecer em um escritório'', revela.
Serviço:
- O livro ''Aritmética'', de Fernanda Youg. Editoria Ediouro, 398 páginas, R$ 49,00.


