Personagens reais entram em cena
Personagens reais entram em cena
Mário CesarJúlio Cesar e os malabares: Vou estudar na UEL, quero ser igual ao ChacovachiRapaz que sonha ser palhaço e menina que não sai do teatro estão entre as pessoas que viveram intensamente o Filo
Elisa Marília Carneiro
Realidade e fantasia transitam nas praças de Londrina nesses dias de Filo. Um rapaz chamou a atenção. Por onde ia, o palhaço Chacovachi era seguido por um fiel escudeiro. Júlio Cesar da Silva Ferreira, 19 anos, adotou Chaco como seu irmão.
Guardador de carros em frente ao Teatro Zaqueu de Melo, Júlio percorre as redondezas à procura do irmão. O palhaço conta que conheceu o rapaz um dia antes do seu primeiro espetáculo. Ele chegou perto, conversamos e logo percebi o fascínio que os malabares exerciam sobre ele.
Um dia, Chaco dedicou três horas ao rapaz. Ensinou-o a fazer malabarismos com bolinhas. Júlio pode ser visto nas calçadas treinando com três limões. Acho que ele assistiu todos os espetáculos. Imagino que até tenha decorado os números, diz o clown argentino.
O ator acredita que o rapaz poderia desenvolver a habilidade. Vou tentar conseguir bolinhas e uns malabares para ele. Seria bom se ele fizesse um curso ou entrasse em contato com o pessoal da Casa de Cultura.
Mas o Festival termina amanhã. Todos vão embora e Júlio deve voltar a cuidar dos carros. Vou estudar na UEL, quero ser igual ao meu irmão, sonha concentrado para não derrubar os limões.
Mário CesarBeatriz Sitta Moreira: Sou a pessoa que mais gosta de teatro no mundoJackeline SeglinEla garante ser a pessoa que mais gosta de teatro no mundo. Uma figurinha que tornou-se personagem fora dos palcos do Filo. É Beatriz Sitta Moreira, uma garota de seis anos que desde os primeiros meses de vida acompanha espetáculos do festival.
Várias vezes barrada na porta de entrada por causa da idade, ela conta que sua reação sempre é a mesma. Sinto raiva. Não sei, talvez não seja o teatro ideal para mim, mas eu quero pelo menos conhecer. E quando a mãe, em casa, já avisa que ela não poderá assistir a tal espetáculo... Ah, aí eu soltava duas - não! três ou quatro lágrimas, lembra, contando nos dedos.
Beatriz também pediu à mãe que a levasse ao Cabaré. Tenho vontade de ver um show, qualquer um. Minha mãe vive falando que é legal, mas nunca me conta tudo. Por isso eu quero ir - nesse momento, ela percebe que está sendo observada: Ô, mãe, você não confia em mim? Ontem, a escola em que estuda iria levar os alunos durante o dia para conhecer o espaço.
Este ano, a menina não pôde assistir muita coisa - em parte por causa dos horários. Mas ela deu um jeitinho e foi às performances dos palhaços Xuxu e Chacovachi, Mister YooWho e sentou na primeira fila do Ouro Verde para ver o Ballet de Londrina.





