Personagens polêmicas
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domingo, 20 de janeiro de 2013
Fernanda Breder<br>TV Press 
Personagens fortes demandam preparação intensa. E Dani Moreno, ao saber que interpretaria a Aisha de "Salve Jorge", levou isso ao pé da letra. Como viveria uma traficada, a atriz começou, desde o início do ano passado, a analisar filmes, documentários, livros e muitas histórias sobre o assunto. "Só quem passou por essa tragédia sabe como é. O que eu tento fazer é me aproximar ao máximo", explica.
Um dos temas centrais da novela de Gloria Perez é o tráfico humano. Mas o drama não é abordado apenas pelas personagens que vão trabalhar na Turquia. Na história, Aisha foi levada do Brasil ainda bebê e, mais velha, passa a buscar sua origem e sua família.
Dani conheceu pessoalmente vítimas reais desse crime e só então se deu conta da profundidade da questão. "Quando a gente imagina o tráfico de bebês, não tem noção do vazio dentro de quem foi adotado. Tenho muito orgulho de dar voz a essas pessoas, meu foco é ajudá-las", ressalta.
A atriz tem se surpreendido com a reação do público que a encontra na rua. "Me falam: 'Para de procurar sua família, você vai parar no Alemão!'. Mas não é isso que importa. Me preocupa um pouco quando a gente vê como as pessoas são ligadas ao material", defende, citando o fato de que, na trama, tudo indica que Aisha seja filha de Delzuite, papel de Solange Badim, moradora do complexo de favelas. Para ela, a busca pelas origens e pela própria identidade é mais importante do que os bens materiais que a personagem encontrou em sua família adotiva.
Ainda em sua segunda novela, a atriz já se orgulha o papel complexo e comemora atuar com atores de renome, como Zezé Polessa e Antonio Calloni, que interpretam, respectivamente, Berna e Mustafá, os pais de Aisha na trama. "As gravações estão sendo maravilhosas e eu tenho aprendido muito com a resposta que recebo dos diretores", conta.
Para trabalhar em "Salve Jorge", Dani Moreno precisou trocar São Paulo pelo Rio de Janeiro, mas garante que a adaptação foi fácil. Encantada com o mar e a beleza da cidade, a atriz começou até a praticar bodyboard. "Aqui no Rio é fácil unir a vida saudável com a vida de trabalho. Em São Paulo, é um pouquinho mais difícil, tem de morar perto de um parque", compara.
Em seu trabalho anterior, "Amor e Revolução", do SBT, Dani interpretava Marta, uma militante na época da ditadura do Brasil. Foi só durante a novela que a atriz pôde aprender sobre esse período histórico. "Estudei a vida inteira em escola pública e, em aula, nunca tocaram no assunto. Eu sabia pelos meus pais que teve uma ditadura, mas nunca soube o que aconteceu de fato", revela.
Dani acredita que muita gente que conhecia pouco sobre o governo militar, assim como ela, viu-se descobrindo uma parte importante da história do próprio país com a novela. No meio do tema denso, sua personagem era apaixonada pela melhor amiga. A pergunta que a atriz mais ouvia na época era sobre as dificuldades de interpretar uma homossexual, mas ela tirava a polêmica de foco. "Eu respondia: 'Eu não faço uma lésbica, faço uma mulher apaixonada por uma pessoa que, por acaso, é outra mulher'", conta.
Dani começou sua carreira em um curso de teatro na Zona Oeste de São Paulo. Na época, fez peças de autores como William Shakespeare, Thornton Wilder e Anton Tchekhov. Antes disso tudo, porém, era produtora publicitária. Ela já tinha vontade de atuar, mas o desejo ficava guardado a sete chaves. "Eu comecei a estudar teatro e as coisas foram caminhando para isso. Como diria outro personagem, também da Gloria Perez, 'maktub', estava escrito", brinca, referindo-se à novela de grande sucesso da autora, "O Clone".
Mesmo com planos de voltar aos palcos depois de "Salve Jorge", Dani pretende continuar na tevê. "Eu adoro isso aqui. Preciso voltar para o teatro porque ator não vive sem palco, mas não vou abandonar a tevê", garante.


