Austin Powers, Adam Sandler, Ben Stiller, Luciana Gimenez, Homer Simpson, Kléber Bambam, Rodrigo Caubói, Kramer (o do seriado ''Seinfeld''), Márcio Canuto, O Frango (do ''Cartoon Network''), Denilson, Mike Myers, Cidão (o partner atrapalhado do Marcos Mion). Nunca os personagens imbecilizados, os dumbers, estiveram tão em alta no mundo do entretenimento.
Ao vencer na semana passada o reality show ''Big Brother Brasil'' - com cerca de 7 milhões de votos -, o agroboy Rodrigo reiterou o fascínio que a grande audiência do País demonstra pelo estilo dumb, atração que já tinha feito com que Kléber Bambam levasse o prêmio da primeira edição. Nos dois casos, o de Kléber e o de Rodrigo, não há justificativa plausível para a escolha senão a opção pelos tortos ''do bem'', os heróis circunstanciais.
Imagem mista entre o tipo meio loser (o perdedor clássico, no sentido americano do termo) e o que frequentemente se chama aqui de ''autêntico'', o dumber é semi-instruído, semi-imputável (pressupõe-se que não tenha ampla responsabilidade pelos seus atos), semichato, semi-esperto, inevitavelmente engraçado. E demonstra notável adaptação às situações adversas, por conta de algo abstrato - sorte, carisma.
Estúpido-safo, o personagem carreia simpatias por onde passa. É possível incluir nesse rol até um soldado de outro métier, caso de Denilson, ponta da seleção. Menos pelas habilidades malabarísticas do que por sua peregrinação posterior pelos programas de TV, fingindo o sono que deveras sentia no ''Programa do Jô'' ou abraçando seu médico ortopedista no Milton Neves. ''Cansei. Vou dizer uma só palavra: F-O-I. Fui.'' Simpático e levemente trouxa, é uma unanimidade.
O desempenho matinal de Márcio Canuto na Copa do Mundo (''TV Globo'') dispensa comentários. Mas é Cidão, assistente de palco de Marcos Mion no programa ''Sob Controle'' (''Bandeirantes''), que sintetiza um mundo de referências dumbers: uma péssima forma física, um jeito de ser o último a saber, a disposição inumana de protagonizar roubadas. É uma boa atualização do Roque, o assistente de Silvio Santos.
Sem qualquer respaldo técnico, pode-se dizer que o tipo ''dumb'' clássico foi inventado por Jerry Lewis e aperfeiçoado por gerações na televisão e no cinema. Por que não assumir que foi Curly, dos ''Três Patetas''? Há uma diferença conceitual sutil: Curly era um ''clown'', um herói da era do pastelão. O dumber, em geral, não sabe que é um fiasco, ele se julga plenamente adaptado socialmente e é essa confiança que o torna mais reconhecível às multidões.
O cinema vive uma invasão nova de palermas dessa natureza, como Mike Myers, Adam Sandler, Ben Stiller e o mais explícito de todos, Jim Carrey - um dumber pornográfico, de tão estúpido. No recente filme ''Zoolander'', Ben Stiller dá um banho como um top model abilolado.
Mas é Adam Sandler o astro ascendente do time. Com o filme ''Mr. Deeds'', que está para estrear no Brasil, faz exatamente a profissão de fé no seu tipo particular de smart-dumb. Ele personifica um autêntico caipira do Meio Oeste americano que recebe uma fortuna de herança de um tio que não conheceu. O defunto era rico e também muito odiado, e ''Mr. Deeds'' vai driblar todos os ardis com seu genuíno despreparo jeca.
Mesmo uma das canções mais executadas nas rádios brasileiras atualmente é uma celebração do palerma. ''O acaso vai me proteger, enquanto eu andar distraído'', diz a música dos Titãs. O dumber é um eleito do acaso. E está ganhando o jogo.

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