Personagem Requisitos para ser um autêntico Bond
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Antes de morrer aos 56 anos, em 1964, Ian Fleming pôde assistir somente aos dois primeiros filmes da série. Mas ''O Satânico Dr. No'' e ''Moscou Contra 007'' foram suficientes para mudar a impressão original que o escritor tinha sobre Sean Connery. Antes de vê-lo na tela, afirmou que ele não correspondia ao retrato do herói de suas novelas. Depois, reconheceu que não podia imaginar outro ator na pele do personagem.
Quando começou a existência cinematográfica de 007, Connery era um ator quase desconhecido quando iniciou a carreira praticamente junto com a do personagem. E foi ele quem, durante muitos anos, deu a Bond seu melhor perfil. Campeão de boxe no exército, modelo na folclórica Carnaby Street e ator shakespeariano, soube mesclar sofisticação e sex appeal temperadas por um sutil toque de cafajestice britânica, o que equivale mais ou menos a uma dose de fleuma destemperada.
Com seu timing e irônico sentido de humor, Roger Moore foi um Bond bem-vindo pelos fãs. O mesmo não aconteceu com o australiano George Lazenby e muito menos com Timothy Dalton que, embora se aproximasse da descrição que Fleming construiu em seus livros, fracassou como imagem cinematográfica do personagem.
E então, com a mesma distinção e um toque de arrogância, surgiu Pierce Brosnan. O rejuvenescimento do personagem foi imediato, e abriu perspectivas de futuro até então impensadas para a série. Mas ainda assim a mídia especulava sobre o sucessor de Brosnan, caso o ator, por uma ou outra razão, se afastasse ou fosse afastado do serviço secreto... Depois da estréia de ''O Mundo Não é o Bastante'', no final de 2001, uma série de nomes começou a ser cogitada como potenciais herdeiros da tentadora franquia. As possibilidades se dividiram. Christian Bale, ator de ''Psicopata Americano'' chegou com a força de uma inegável porção de sex-appeal, acento britânico perfeito e juventude (agora chegando aos 30).
Na lista logo atrás de Bale aparecia Hugh Jackman (''X-Man''), com imagem associada a de um Connery jovem, duro e simpático. Mas seu perfil sedutor se chocava com certa rusticidade que o personagem não toleraria. Isto também serviria para Russel Crowe, outro cotado que no entanto saiu logo em busca de outras alternativas para sua carreira. Também circularam os nomes de Ewan McGregor (''Trainspotting'', ''Moulin Rouge''), Jude Law (''O Amigo Americano'') e até do cantor Robbie Williams. E quando se falou em glamour imediatamente se considerou Rupert Everett, mas sua candidatura apontava para uma direção até agora pouca imaginada, a de criar um agente secreto como Bond mas tão declaradamente gay como o próprio Everett.
Mas acabou prevalecendo a velha máxima britânica de que equipe na liderança não deve ser alterada (leia-se em bom português: em time que está ganhando não se mexe...). E Pierce Brosnan, o 007 mais rentável (quase um bilhão de dólares em seus filmes), passou a reinar soberano. Agora no quarto filme, ''Um Novo Dia Para Morrer'', o ator irlandês de 50 anos está à vontade no papel já definiu sua quinta participação na série e diz qual foi a grande mudança que introduziu no personagem: ''O que me interessa particularmente é o que pode dar errado para James Bond, e quais seus medos quando ele erra. Se você lê os livros, observa que ele é falível, que é um homem com dúvidas e até mesmo com medo do perigo nas missões que recebe. E é justamente o que deixa o personagem mais interessante. Ou seja, exatamente o oposto da imagem de Bond utilizada por muito tempo.''


