PERSONAGEM - Sonho realizado
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quinta-feira, 26 de maio de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Investir em novos talentos deixou há muito de ser prioridade das gravadoras, que se encontram em coma, abatidas pela pirataria de CDs e pela disponibilização de músicas na Internet. Diante da crise da indústria fonográfica, a maioria dos artistas desistiu de sonhar com um grande contrato, que lhe permitisse gravar discos com produtores de renome e em estúdios equipados com tecnologia de última geração.
Não é o caso do cantor londrinense Ivo Pessoa, cujo currículo de 15 anos de carreira foi enriquecido por sua participação no programa ''Fama'' da Rede Globo. Ele é o mais novo contratado da gravadora Som Livre, famosa por lançar as trilhas sonoras das novelas da emissora líder de audiência. ''Depois de um ano de batalha, consegui o que queria'' conta o artista à Folha Dois.
''Durante esse tempo, recebi propostas de outras companhias mas nenhuma delas me agradou. Em todas, senti que havia uma voz mais alta, que poderia interferir em meu trabalho. Já pelos primeiros contatos na Som Livre, senti que terei autonomia para manter minha proposta musical por que eles gostam do meu estilo''. Ivo salienta que todos os convites surgiram após sua participação há 1 ano no programa televisivo, o que demonstraria o empurrão dado à sua carreira.
Depois da projeção nacional, ele trocou Londrina pelo Rio de Janeiro mantendo contrato com a Globo até 2007. Com a mudança, deixou a parceria com o guitarrista Kiko Jozzolino (com que gravou um belo álbum de blues em 2003), elevou o cachê e passou a fazer shows no Estado do Rio e em Minas Gerais. ''Tenho tocado muito com o pessoal de blues. Agora mesmo fui convidado para participar de um show no Centro Cultural do Rio com os músicos Big Joe Manfra e Jefferson Gonçalves'' conta.
Em Londrina, Ivo fez uma aparição inesperada no ano passado, durante um show de Ed Motta dentro do projeto ''Royal In Concert'' série de shows fechados para convidados promovidos pela empreendedora Teixeira Holzman. Ivo estava na platéia, quando o sobrinho de Tim Maia abandonou o palco alegando mal-estar. Ainda perplexos, os organizadores ''descobriram'' o cantor entre as mesas e o convidaram para empunhar o microfone junto com a Big Band.
''Foi acidental. Eles me pediram para cantar e acho que consegui distrair o pessoal'' lembra. No dia seguinte, só se falava da ''canja que roubou o show''. Foi sua última apresentação na cidade, que veio visitar esta semana para comemorar o aniversário do filho, nascido poucos dias antes de sua ida ao ''Fama''. Na segunda-feira, ele já estará de volta ao Rio para iniciar a pré-gravação de seu primeiro disco por uma grande gravadora.
''Estou muito satisfeito com o que está acontecendo. Vou gravar no mesmo estúdio usado pelo Barão Vermelho e pelo Roberto Carlos, em Botafogo. Agora vou ficar sabendo quem será o produtor, que músicas vou escolher. Vai começar a fase de delinear o trabalho'' explica, anunciando que colocará seu novo site no ar na próxima semana. Ontem, o cantor participaria de um evento assistencialista cantando algumas músicas para um programa de televisão.


