Depois de retornar recentemente da Rússia, onde se apresentou dançando o ''Lago dos Cisnes'', numa montagem da coreógrafa Natália Makarova, a renomada bailarina Cecília Kerche participou como jurada do 23º Festival de Dança de Joinville, que termina hoje, com a realização da Noite dos Campeões em que se apresentam os primeiros colocados das mostras competitivas do evento e os ganhadores do Prêmio Revelação de 2004. Cecília também foi convidada especial de um talk show, que contou com a participação da bailarina Ana Botafogo e fez parte da programação didática do evento. Em 2004, Cecília apresentou com o bailarino Vitor Luiz, em Londrina, na segunda edição do festival de dança da cidade, uma variação do pas-de-deux (passo a dois) denominado ''Gran Pas Classique'', com coreografia do russo Guzovshy Aleksandr considerada uma das mais difíceis de serem executadas dentro do repertório do balé clássico. Na próxima edição do Festival de Dança de Londrina, em setembro, ela também deverá participar.
Cecília, 44 anos, começou a estudar dança com oito anos de idade em Osasco (SP), concluindo sua formação na Escola Internacional de Danças Halina Biernak, em São Paulo. Ela entrou para o Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1982, consagrando-se como primeira bailarina três anos depois. De lá para cá, tornou-se uma referência na América Latina, sendo periodicamente convidada para atuar em companhias internacionais.
Além de dançar, Cecília dirige um concurso internacional bi-anual para bailarinos juniores (até 17 anos) e seniors (até 23 anos) na cidade de Oswaldo Cruz, no interior de São Paulo. Ela também criou uma marca de sapatilhas, que já foi classificada em quinto lugar no ranking das melhores do mundo.
Defensora da arte que propaga e encanta, Cecília afirmou que há no Brasil uma quantidade suficiente de bailarinos competentes para que se forme um corpo de balé profissional em cada capital do país. ''Os festivais são exemplos vivos do talento que temos e está espalhado pelo Brasil. Nesse país, que tem dimensão continental, é desumano não ter campo de trabalho para as pessoas que se especializam em artes e acabam tendo que sair do país para sobreviver'', argumentou.
Ela também destacou que o bailarino sempre tem que investir no seu preparo físico para garantir uma boa performance no palco ela faz no mínimo uma hora e meia de exercícios todos os dias. ''Bailarino não tem descanso, porque não pode ficar fora de forma. Porque um dia sem aula, eu percebo; dois dias, meu professor percebe; e no terceiro dia, o público todo percebe (risos). Então, é aula todo dia'', aconselhou a bailarina que é um dos maiores ícones da dança.

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