Até os gênios são incompreendidos. Albert Einstein (1879-1955) não passou ileso por essa máxima, chegando a questionar porque ninguém o entendia, mas todos o admiravam. Fato é que ele foi rejeitado oito vezes pela comissão do Prêmio Nobel.
O próprio Einstein também disse que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Uma teoria que talvez se aplique a Kelton Gabriel, um jovem escritor que acredita ser mais um na fila dos incompreendidos e que se auto-intitula ''filósofo brasileiro''.
Aos 24 anos, o rapaz trocou a sala de aula, como professor de Geografia, improvisando a sua cátedra nas ruas, onde expõe as suas idéias e vende o livro independente ''Neuroastromomia''.
Depois de passar por várias cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Gabriel, que mora em Castro (41 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), veio a Londrina para vender também cópias de artigos sobre filosofia e do conto, ''O Filósofo e o Jardineiro'', terceiro lugar no 13º Concurso de Contos Paulo Leminski, promovido pela Unioeste.
''Estou lançando a minha própria teoria sobre o universo físico e a consciência. Uma tentativa de salvar Einstein, que morreu tentando fazer uma associação da teoria eletromagnética e a gravitacional, através de uma visão orientalista em que proponho uma solução para o problema de Einstein'', afirma Gabriel.
Ao reconhecer que os amigos o consideram um pouco louco, tanto por suas idéias, como também em abandonar a sala de aula, pondo o pé na estrada, o rapaz conta com o apoio dos que são levados a parar e comprar o livro (R$ 10,00), impulsionados, primeiramente, pela curiosidade.
Quem passou em frente à Biblioteca Pública, não deixou de ficar intrigado ao ver o rapaz sentado nas escadarias, com dois guarda-chuvas abertos, onde fixou várias pensamentos filosóficos - alguns escritos em japonês, idioma que está estudando com o objetivo desenvolver a sua tese de mestrado no Japão .
''As pessoas acham estranho porque não têm o hábito de encontrar um escritor lançando um livro de filosofia na rua, mas é uma maneira que encontrei de expor o nosso trabalho'', comenta Gabriel, destacando que começou a se interessar por filosofia na faculdade, querendo explicações para algumas questões.
Ele conta que vende uma média de oito livros por dia, mas espera conseguir deixar de ser um autor independente. Porém, reconhece que o mercado editorial brasileiro é difícil até para os que já se lançaram.
Sobre a sua estratégia de venda, Gabriel diz que procura espaços, como calçadas em frente de bibliotecas e teatros, onde tem uma certeza maior de encontrar possíveis leitores, que comprem o seu livro.
''Encontrei poucas respostas às perguntas que tenho feito, mas com os meu livro pretendo chegar a algum lugar'', afirma o rapaz, que nas teorias que tenta desenvolver, se ampara na idéia de que o cérebro humano é o centro do universo.

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