Curitiba Aos 8 anos ele começou a fazer teatro, aos dez optou pelo balé e aos 16 anos decidiu investir na dança tentando alçar vôos bem mais altos. Saiu de Curitiba, onde nasceu, para ir a Nova York estudar balé e tentar a sorte. Depois de integrar a equipe de diversas companhias americanas, a oportunidade chega agora para o bailarino Luciano Lazarotto. Ele foi selecionado para a montagem ''O Fantasma da Ópera'', que vai estrear em Las Vegas neste semestre. Lazarotto foi escolhido entre mais de mil candidatos depois de testes feitos em quatro cidades dos Estados Unidos. Ele veio ao Brasil para visitar a família antes de começar os ensaios para a nova versão do espetáculo que mais tempo está em cartaz na Broadway.
O bailarino curitibano, que está com 25 anos, vai interpretar o ''mestre dos escravos'' (slave master), o principal personagem para um bailarino na montagem. Além de dançar, Lazarotto também vai cantar no musical a ser dirigido por Hal Prince. Profissional veterano da Broadway, Prince já ganhou mais de 20 prêmios Tony (o Oscar do teatro americano). Apesar de acumular experiência com importantes companhias americanas, essa é a primeira vez que Lazarotto trabalha com um diretor desse porte. ''Eu estou muito entusiasmado. Quando saí de Curitiba eu não tinha idéia de que isso fosse acontecer. Eu achava que se conseguisse sobreviver da dança, já estava bom, mas olha como está sendo minha estréia...'', conta
Lazarotto ainda se diz chocado com os acontecimentos. Também pudera. Eles estava dançando com uma companhia de São Francisco, onde fazia apresentações solos de importantes coreografias, como o ''Quebra Nozes'' na época em que a produção do ''O Fantasma da Ópera'' estava realizando os testes. A última cidade onde a audição iria acontecer era Nova York, em um teatro da Broadway. Era novembro, feriado de Ação de Graças e Lazarotto teve dificuldades em conseguir passagem. Mas para quem já havia vencido tantos obstáculos, na vida e na profissão que escolheu, o transporte era o menor deles e assim o bailarino chegou a tempo para realizar o teste.
Em Nova York ele disputou a vaga com mais 80 rapazes, mas de 1 mil já tinham feito os testes em outras cidades. ''O teste consistia em uma coreografia que você tinha que repetir umas duas, três vezes. Dessa primeira etapa sobraram sete rapazes, que foram selecionados para o teste final'', lembra. Em dezembro do ano passado, outros 18 bailarinos, nenhum deles brasileiros, foram novamente chamados para um novo teste. Alguns dias mais tarde, quando Lazarotto já estava de volta a São Francisco, a produção ligou avisando que o bailarino curitibano conquistou a vaga, que será revezada com um bailarino americano.''Eu desliguei o telefone e comecei a pular. Não dava pra acreditar''.
Filho de uma professora primária e um taxista, Lazarotto conta que começou a gostar de teatro e dança por influência da mãe, que costumava levar os alunos a apresentações do gênero. ''Eu a acompanhava e comecei a me encantar. Aos oito anos, quando estava fazendo teatro, me disseram que a base para quem quer trabalhar o corpo é o balé'', diz. O garoto levou a dica a sério e aos dez anos ingressou na escola Pettit Ballet, em Curitiba. Seis anos mais tarde, a professora e proprietária da escola, Rita de Cássia Monte Correia, levou o garoto para Nova York para que ele tentasse algumas audições. ''Foi uma excursão cultural. Nessa mesma época eu vi pela primeira vez 'O Fantasma da Ópera' e me encantei'', revela.
Naquele ano, ele ganhou uma bolsa da 2 Companhia Americana de Ballet, mas de volta ao Brasil a mãe não o deixou ir antes que ele terminasse os estudos do Ensino Médio. ''Tudo bem, as aulas terminaram de manhã e a tarde eu embarquei'', diverte-se. Já em solo americano, fez aulas por apenas duas semanas, antes da escola fechar para os feriados de final de ano. O tempo, no entanto, foi fundamental para que o rapaz procurasse outras escolas e oportunidades melhores. Desde que partiu para os Estados Unidos, participou do corpo de baile de companhias como Cincinatti Ballet, San Francisco Ballet e Opera, Louisville Ballet, mas agora garante que este é o melhor momento da sua carreira.
E para quem quer tentar oportunidade semelhante, ele dá a dica: ''É preciso acima de tudo ter independência de pensamento. Se eu cheguei até aqui é porque não segui o pensamento dos outros, mas fui atrás do que eu acreditava, fui atrás da realização dos meus desejos'', conclui.

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