O mapa do Brasil, aberto muitas vezes sobre a mesa, foi um dos seus principais materiais de trabalho. Através dele, traçava rotas pra sobrevoar o País com a missão de fazer estudo de viabilidade operacional de capitais e cidades que solicitavam a caravana de artistas de um dos empreendimentos mais célebres da história musical brasileira: o Projeto Pixinguinha.''Talvez por isso eu veja até hoje o Brasil de modo global, inteiro'', diz Maria Bortoni, atuou na Fundação Nacional de Arte (Funarte) como coordenadora executiva do projeto idealizado pelo produtor, compositor, poeta e pesquisador Hermínio Bello de Carvalho.
Por não se ater a datas exatas, Maria Bortoni evoca a memória afetiva para relatar fatos de quando participou do projeto abarcado pela Funarte. Em qual função? ''Tudo, fazia de tudo'', afirma. O ''tudo'' se relaciona ao apoio logístico a artistas que se dispunham a percorrer o Brasil levando música de qualidade. Além das visitas de inspeção nas cidades para checar a infra-estrutura e traçar roteiros, Maria tinha que dar conta de várias coisas como contatar artistas e verificar respectivas agendas, encaminhar informações à imprensa, projeção de custo (passagens aéreas, cachês, hospedagem, alimentações, transporte de equipamento, etc), balanço financeiro do ano e relatório geral do que se procedeu a®MDBO¯®MDNM¯lém, claro, de resolver problemas de últimas horas e esses sempre apareciam.
O empenho era tanto que, como conta, alguns artistas com os quais trabalhou se referiam a ela como ''a mãe do projeto Pixinguinha''. ''Eu me considero mãe sim porque o vi nascer, ouvi as primeiras notas e li as primeiras palavras escritas a respeito'', diz.
Londrina. Foi aqui o marco inicial do envolvimento direto de Maria Bortini com a cultura. Mineira de São Lourenço, ela chegou à cidade há 53 anos, foi professora primária no colégio Hugo Simas lá também ministrou aulas de Português, num total de 16 anos dedicados ao magistério. Ainda na cidade, de 1969 a 1971, fez parte de um conselho de curadores para a estruturação do que viria a ser a Universidade Estadual de Londrina. Paralelamente, organizava congressos em várias áreas.
A ida ao Rio de Janeiro se deveu a questões pessoais. Divorciada e responsável pelas duas filhas, Cristina e Cíntia, aceitou trabalhar na área financeira de uma empresa de engenharia e construção, de propriedade do irmão, Rosalbo Bortoni. ''Não gostava porque sempre trabalhei na área de cultura, mas precisava formar minhas filhas'', conta. Ciente de sua vocação, outro irmão bem relacionado no gabinete do então ministro da Educação e Cultura, Ney Braga, conseguiu uma vaga na recém-criada Funarte, em 76.
Maria, pois, voltava a trabalhar com cultura, num projeto itinerante que durante mais de 15 anos oficialmente foram exatos 20 anos não consecutivos, até sua retomada, no ano passado passou por diversas capitais e cidades brasileiras. Números: 224 shows, quase 340 artistas perfazendo mais de 3,6 mil apresentações a um público estimado em mais de dois milhões de espectadores. (Leia texto nessa página).
Em meados da década de 90, Maria Bortoni mudou-se para os Estados Unidos. Residiu aproximadamente cinco anos em San Diego, onde vivem as duas filhas atualmente é representante no Brasil da San Diego University For Integrative Studies, onde a filha Cristina é reitora. O retorno a Londrina aconteceu em 1999. E por que não o Rio de Janeiro? ''Lá minha vida se resumia à Funarte. Tinha mais vínculos profissionais do que vida social'', informa.
Claro, Maria Bortoni guarda boas recordações da capital carioca, mas resolveu fixar-se mesmo em Londrina, onde dedica-se integralmente às atividades rotarianas ela foi presidente do Rotary Alvorada, atualmente pertence ao Londrina Sul e fez parte da comissão de festejos do centenário da instituição no distrito 4710. ''Eu adoro Londrina. Quando voltei pude constatar que o sentimento que tenho pela cidade não havia mudado em nada'', diz. ''Eu me considero feliz e realizada porque tive a felicidade de trabalhar sempre onde eu pudesse criar. Eu dei conta de tudo'', complementa.
Essa Maria é muito especial.
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