PERSONAGEM - Mafalda toda prosa
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sábado, 11 de setembro de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
A vida de Mafalda Bongiovanni vai virar livro. Amiga da apresentadora há quase 20 anos, a escritora Edina Panichi não se intimidou ao aceitar o desafio carinhoso de escrever a trajetória de uma das pessoas que mais tem admiração. Um dos objetivos é desmitificar a imagem de apresentadora de TV. ''Normalmente, quem é apresentadora de TV vira personagem. Isso não acontece com a Mafalda. Ela é aquilo que mostra, tem muita autenticidade, é guerreira, solidária, e acho que as pessoas têm curiosidade em conhecê-la melhor'', destacou Edina.
A idéia do livro surgiu há cerca de oito anos, em uma conversa informal entre Mafalda e o marido de Edina, o administrador Antonio Carlos Panichi. ''Na ocasião, ele ficou impressionado com a história de vida dela e afirmou que daria um livro'', lembrou Edina, que é professora senior dos cursos de mestrado e doutorado da UEL na área de Letras.
Com um público feminino cativo, a apresentadora é bastante popular e comemora este ano 26 anos de programas em televisão. ''Estamos até pensando em consultar o Livro dos Recordes para ver se ela, talvez, não seja a apresentadora que mais tempo ficou no ar em um mesmo programa'', comentou Edina.
Várias histórias permeiam o livro chamado pela escritora de ''memórias romanceadas''. ''Todos os fatos são verdadeiros, baseados em depoimentos de parentes, amigos e profissionais que acompanharam a trajetória profissional da Mafalda, mas dou um tom romanceado, mais pessoal, não é um livro de testemunhos'', ressaltou Edina.
Uma das fontes de pesquisa foi o cabeleireiro Carlos Kussano, primeiro entrevistado da Mafalda, e que acabou se tornando amigo e cabeleireiro até hoje. A inexperiência era tanta, de ambos os lados, que Kussano chegava a levar as perguntas da apresentadora e as suas respostas prontas. Outro dado interessante é que Mafalda também foi precursora do uso da entrevista feita com médicos em programas televisivos. O que hoje é marca registrada em todos os programas femininos, na época era motivo de preconceito e receio.
O livro também conta sobre a origem do nome da apresentadora, colocado como sugestão da avó materna. O nome seria uma referência à Rainha Santa Mafalda (1195-1256), que viveu no Mosteiro de Arouca, em Portugal, e ficou conhecida pelos trabalhos de caridade. Seu sepulcro foi duas vezes aberto no século XVII e tanto o corpo como as suas vestes estavam intactos. Em 1973, o papa Pio VI confirmou-lhe o título de beata.
Histórias engraçadas também fazem parte da narrativa como a de quando Mafalda, na juventude, resolveu montar uma tenda de circo para se divertir com os amigos e o seu irmão acabou caindo do trapézio, improvisado com um cabo de vassoura.
A estimativa da escritora é que o livro esteja pronto até o final do ano. O nome provisório é ''Mafalda Bongiovanni: Uma Mulher da Comunicação''.
No ano passado, Edina escreveu, junto com o Miguel L. Contani, livro sobre o processo criativo do memorialista Pedro Nava, que concorreu ao Prêmio Jabuti deste ano.
No momento, além de se dedicar à coleta dos depoimentos restantes do livro sobre a vida da Mafalda, Edina está preparando material sobre Pedro Nava que será incluindo em livro de escritores franceses sobre o memorialista.


