Impossível não prestar atenção ao programa infantil transmitido ao vivo, no estúdio instalado dentro do ônibus. Era uma voz firme. No microfone, Fernanda Hermes. 13 anos. Que não só apresentou o ‘‘Alegria de Criança’’ como também fez o roteiro e escolheu as músicas. Depois de quase dez minutos, despede-se de seus ouvintes com uma singela mensagem ‘‘Que o Senhor e os anjinhos do céu abencõem nossa vida inocente’’. Palmas.
  Ao deixar o estúdio, o acanhamento tomou conta de Fernanda. A espontaneidade é vencida pela timidez diante das câmeras de televisão e de fotógrafos. ‘‘Isso dá vergonha’’, disse. O repórter sugere que não preste atenção a eles. ‘‘Não dá. Não sabia que ia ter televisão, não era essa a proposta’’, emendou.
  As câmeras se afastam e ela começa a falar da experiência. ‘‘Vim por minha conta mesmo e achei importante conhecer as raízes de músicas que a gente não ouve por a풒, analisou. A esperta menina disse ter ficado fascinada com o compositor Salomão Habib, ‘‘um homem que conhece muito a cultura musical do Brasil’’.
  Até então, as referências musicais eram as duplas Zezé di Camargo e Luciano e Chitãozinho e Xororó. Mas confessa que alguma coisa há de mudar. ‘‘Daqui para frente vou tentar aprender mais sobre outras músicas do Brasil, saber por que foram escritas e em que os compositores se inspiraram’’, afirma. Mesmo com impressionante vocação para o rádio, Fernanda, que cursa a oitava série numa escola do distrito de Aricanduva, diz que não pretende seguir carreira no veículo. ‘‘Quero ser veterinária’’, afirma em tom categórico. (A.M.J.)

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