A agenda do cantor e compositor Martinho da Vila está bem apertada nos próximos dias. Além da divulgação do recém-lançado CD ''Brasilatinidade'' , ele reuniria seus músicos no último final de semana para a gravação de um DVD na casa de shows paulistana Tom Brasil, com previsão de chegar ao mercado no segundo semestre. Já no dia 9 de junho, o artista faz sessão de autógrafos do mais recente livro, 'Os Lusófanos', na Livraria Saraiva do Rio de Janeiro. Para o ''carioca mais baiano do Brasil'', conforme foi anunciado antes da apresentação que fez na última quinta-feira no Festival América do Sul 2005, em Corumbá (MS), tudo deve transcorrer normalmente. A fórmula: fazer uma coisa de cada vez sem afobação e com um sorriso de bem-estar estampado no rosto.
Vamos por partes. O disco ''Brasilatinidade'', 36º em quase 40 anos de carreira, é uma espécie de extensão de projetos anteriores em que verteu sambas de sua autoria para o francês e clássicos da canção francesa para o português (''Conexões ao vivo'', de 2004), além de promover o intercâmbio musical com países colonizados por Portugal (''Lusofonia'', de 2000). ''Isso tudo foi aconteceu naturalmente, sem premeditar'', afirmou Martinho da Vila, em entrevista exclusiva concedida durante o vôo entre Campo Grande e Corumbá. ''Só me toquei que estava fazendo um segmento de discos conceituais quando gravei o 'Brasilatinidade'. Não sei se vou querer fazer algo na mesma linha num próximo trabalho'', complementa.
Durante as pesquisas para o novo álbum, lançado no início de maio no Brasil e em Portugal - e com previsão de chegar à França no próximo mês - Martinho da Vila descobriu, vejam só , que o romeno é um idioma de origem latina, bem como o português, o francês, o espanhol e o italiano. Para desenvolver a empreitada, ele e o produtor Marco Mazzola promoveram em ''Brasilatinidade''
uma mescla de sonoridade brasileira com ritmos latinos, com ênfase na percussão. As participações especiais ficam por conta da portuguesa Kátia Guerreiro (''Dar e receber''), da espanhola Rosário Flores (''Uma casa nos ares'', versão dele para ''La casa em el aire''), da grega Nana Mouskouri (que canta em francês ''Um dia tu verás'', vertida do clássico ''Um jour tu verras'') e da italiana Mafalda Minnozzi, atualmente radicada no Brasil (''Um beijo, adeus'', do original ''Prima dammi um Baccio''). Há também canções inéditas e releituras. ''Quis fazer um disco em que os sambas tivessem um 'cheiro' latino e as músicas dos outros países contivessem um jeito brasileiro'', afirma.
Apesar da boa receptividade que desfruta no exterior, principalmente em países europeus, Martinho nega que queira, através desses trabalhos temáticos, consolidar-se definitivamente no exterior. ''Fazer uma carreira forte lá fora consome muito tempo porque preciso ficar muito tempo fora do Brasil'', avisa. A globalização já se encarrega de levar sua arte a vários lugares do planeta sem a necessidade obrigatória de estar pessoalmente para divulgar os feitos musicais. ''O mundo está interligado. O que se faz hoje pode ter repercussão imediata do outro lado do globo. Por isso eu me sinto um cidadão globalizado'', analisa.
O primeiro álbum de Martinho José Ferreira, 67 anos, foi lançado em 1969.
Desde de então vem emplacando sucessos, alguns abrigados carinhosamente na memória coletiva como ''O pequeno burguês'', ''Disritmia'', ''Pra que dinheiro'', que lhe conferiram o rótulo de sambista de nobre linhagem. O termo é questionado pelo artista. ''De fato meus grandes sucessos foram mais calcados no samba. Além disso pertenço a uma escola de Samba (Unidos de Vila Isabel). Mas na minha discografia se tiver dez discos só de sambas é muito.
Eu passeio pela música brasileira de uma maneira geral'', afirma. Ah, sim: o rótulo de sambista não o incomoda, longe disso.
Como autor e intérprete da música popular brasileira, Martinho da Vila tem exposição garantida na mídia nacional e até mundial. O que muitos desconhecem é a faceta de escritor - ele já colocou cinco títulos nas prateleiras. O novo livro chama-se ''Os Lusófanos'', romance publicado pela editora Ciência Moderna em que os países de língua portuguesa servem de pano de fundo para as aventuras do personagem Aristides . A idéia original era fazer um encarte para o disco ''Lusofonia'' contendo informações culturais sobre os respectivos lugares em que a colonização portuguesa fincou bandeira. ''Acabei desistindo, mas me senti motivado a escrever esse livro por perceber que há muitas pessoas que têm poucas informações sobre a lusofonia'', observa. O livro, escrito em seis meses , após farta pesquisa, chegará também a Portugal.
Durante oito dias, o Festival América do Sul 2005 transformou a cidade de Corumbá num pólo difusor de cultura dos 10 países do continente através da música, teatro, dança, cinema,literatura, artes plásticas, folclores, seminários e painéis. O festival é realizado pela Fundação de Cultura e Secretaria de Estado de Cultura do Mato Grosso do Sul. O patrocínio é do Banco do Brasil e conta com apoio da Eletrobrás, Funarte, Companhia Vale do
Rio Doce, Msgás e TAM, a transportadora oficial.
Leia mais sobre o festival na página 6.

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