PERSONAGEM - Da construção civil para os palcos
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segunda-feira, 25 de abril de 2005
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Vejam só como são as coisas. Até o ano passado, tudo indicava que o gaúcho Sidnei de Oliveira continuaria erguendo a própria vida como pedreiro e, vez em quando, dedilhando a viola para o próprio bem-estar. Vida simples, sem maiores pretensões. E daí que o rapaz de 24 anos foi o grande vencedor do 1º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola com a composição ''Esplendor'' desbancando mais de cem violeiros inscritos. ''Foi um surpresa muito grande porque se não tivesse sido o vencedor estaria até hoje trabalhando na construção civil'', analisa Sidnei de Oliveira. Pois bem, ele vai tentar a sorte novamente na segunda edição do prêmio (veja matéria nesta página) através de duas outras canções próprias: ''Imagem'' e ''Presságio''.
Independente do resultado, Sidnei, um rapaz tímido mas solícito, diz estar satisfeito com as as novas oportunidades que a vida lhe deu. Tanto que há dois meses trocou São Francisco de Paula, interior gaúcho, por Ribeirão Preto onde é aluno especial do recém-criado curso de Bacharelado em Viola Caipira, na Universidade de São Paulo (USP). No final do ano pretende prestar vestibular e prosseguir os estudos sobre o instrumento que passou a dominar há quatro anos. ''Pretendo me formar, fazer mestrado e doutorado'', avisa.
O curso foi criado por Ivan Vilela, curador do Prêmio Syngenta e um dos mais respeitados violeiros do Brasil, que viu em Sidnei um talento a ser burilado. ''Além de talentoso, ele (Sidnei) é uma pessoa espiritualizada'', confessa Ivan, que o conheceu em 2002 durante a Oficina de Música de Curitiba. E o discípulo já se mostra muito agradecido ao mestre e cita, entre outras lições aprendidas, a melhora na postura e técnica. ''Pretendo me formar, fazer mestrado e doutorado'', avisa.
Caçula de uma família de três filhos, Sidnei começou a trabalhar como pedreiro, mesmo ofício do pai e dos irmãos, aos 12 anos de idade. Por necessidade, abandonou os estudos aos 14 anos, retomados em 2002. Inicialmente aprendeu a tocar violão. Chegou a fazer pequenas apresentações em bares da cidade natal. ''Era difícil colocar uma notinha no jornal'', lembra. A viola caipira só lhe caiu às mãos em 1999 e de lá para cá não parou mais de explorar o instrumento em busca de sonoridade. Chegou até pensar em prosseguir carreira, mas não obteve muito retorno familiar a princípio. ''Nunca tive muito apoio da família para a música, mas depois que ganhei o prêmio meu pai percebeu que esse era mesmo o meu caminho'', informa.
Quanto às influências, Sidnei cita compositores eruditos (Johann Pachelbel, por exemplo) e populares como Milton Nascimento (''ele é um inovador''). Mas quem realmente o fez se interessar pelas cordas de um violão e posteriormente a viola foi Almir Sater, mais exatamente quando o cantor-ator-instrumentista atuou em ''Pantanal'', novela de 1990. '' Às vezes fecho os olhos imagino os pássaros e animais do Pantanal e toco. Preciso conhecer'', diz.


