PERSONAGEM - Artista múltipla
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sábado, 30 de setembro de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Sorte e oportunidade podem determinar o destino de uma pessoa? A cantora e compositora paranaense Anna Toledo acha que sim. Pelo menos para ela, essas duas situações foram determinantes para suas escolhas. Atriz e cantora nascida em Curitiba, ela morou em várias cidades e trabalhou até como secretária, em Brasília, e guia turístico, no Mato Grosso, antes que as portas culturais começassem a se abrir.
Anna estava em São Paulo quando soube de um teste para o espetáculo ''Beijo da Mulher Aranha'', com Cláudia Raya e Tuca Andrada. O papel era o de namorada do personagem de Tuca. A atriz e cantora foi aprovada, integrou o elenco durante oito meses e de lá para cá, muitas oportunidades (e sorte) surgiram na sua vida. Atualmente integra o elenco da megaprodução paulista ''O Fantasma da Ópera'' e está em fase de lançamendo do seu novo CD, ''Frescura''.
Aliar a música com a interpretação é tarefa fácil para a moça. Ela começou a estudar teatro ainda na adolescência e foi das artes cênicas que nasceu a vontade de cantar. Em algumas épocas, o canto gritou mais alto. Ela chegou a montar bandas e tocar em espaços culturais. Depois disso, morou no Mato Grosso e em Belo Horizonte, para citar alguns locais. Em todos eles, aliava os trabalhos que fazia com o estudo de música e teatro. ''Por isso quando fui pra São Paulo, a adaptação não foi tão difícil''.
A mudança para capital paulista aconteceu em 2001, logo após a aprovação no teste para ''O Beijo''. Depois disso fez teste para a produção do musical ''A Bela e a Fera''. ''Foi a primeira produção gigantesca de que participei. Foi incrível conhecer o 'padrão Disney' de qualidade'', conta. A atriz revela que a exigência dos atores é ''absurda'' e que a experiência aconteceu num momento decisivo da sua carreira. ''Era quando eu precisava decidir o que ia fazer. Se ia cantar ou se ia atuar. Porque a primeira vez foi sorte (sobre o espetáculo ''O Beijo''), agora precisa de mais'', brinca.
A montagem da Disney ficou em cartaz durante dois anos, de 2002 a 2004. Logo em seguida, Anna participou dos testes para outra megaprodução ''O Fantasma da Ópera'', ainda em cartaz em São Paulo. Para integrar o elenco, fez testes com cerca de 6 mil pessoas. ''É uma produção inglesa, coreografada pelos coreógrafos originais. É muito profissional e muito puxado também'', conta.
Mas mesmo em ritmo quase militar de ensaios e apresentações, a curitibana ainda tem tempo para se dedicar ao trabalho pessoal. No intervalo entre as montagens ''A Bela e a Fera'' e ''O Fantasma da Ópera'' foi estudar canto lírico em Boston e também arrumou tempo para gravar o novo disco. ''Frescura'' chega com a cara da artista.
O disco traz composições próprias, de ícones como Itamar Assunção e Alice Ruiz e também de pratas do Paraná. ''Esse é um trabalho com identidade marcada geograficamente'', compara a cantora. Ela responde, para quem pode pensar que pode parecer uma panela, que ''é panelinha mesmo''. Mas tem uma justificativa, que ela tem na ponta da língua: ''Olha, estamos numa época em que surgem 10 cantoras por minuto. Vamos combinar, pelo menos três são boas, mas para uma delas ganhar espaço é preciso ter uma trabalho muito marcante''. Anna espera imprimir essa marca com composições próprias ou cantando músicas que falam sobre coisas que ela gostaria de ter dito. ''Você nunca pensou, quando ouviu uma música ou leu um texto: 'Ah, eu queria ter escrito isso'? Eu escolho as músicas que vou cantar assim. São coisas com as quais me identifico ''.
No disco ''Frescura'', ela aglutina compositores consagrados, como Lupícino Rodrigues (''Que Baixo''); Itamar Assunção (''Vida de Artista'') e Nei Lisboa (a ótima ''Romance''). Mas também tem composições próprias, como a que dá nome ao disco, ''Frescura'' (''As noites/ os dias são longos/Tem dias que a noite é dura/Às vezes eu fico louca/Às vezes é só frescura'') e também de compositores paranaenses, como Marcelo Sandmann e Benito Rodrigues e Sérgio Justen. Para gostar não precisa sorte, só o aparelho. O repertório é saboroso e a voz dela, acompanha.


