''Não conheci Olga, mas soube muita coisa dela por seu marido Luís Carlos Prestes, a quem conheci no Rio Grande do Sul, no período do governo Juscelino Kubitschek'', comenta o ex-preso político e militante comunista na época da ditadura, João Alberto Einecke, 60. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) desde os 17 anos, Einecke não conheceu Olga Benário Prestes, que havia morrido em 1942, dois anos antes do seu nascimento. Mas, ainda jovem, conheceu Luís Carlos Prestes na década de 60. ''Olga teve um papel importante no Levante Comunista de 1935. Ela veio com Prestes da União Soviética, como uma espécie de segurança dele, que liderou a marcha'', rememora a história.
O ex-militante, que abandonou o partido no final dos anos 70, lembra que conheceu o apartamento de Prestes na Gávea, no Rio de Janeiro, num dos aniversários do líder comunista. Também conheceu Anita, a filha do casal. ''Ele me falava de Olga como uma pessoa extremamente corajosa, mas muito emocional. E que, quando chegou ao Brasil, ela apaixonou-se pelo Rio de Janeiro, pela poesia da cidade'', relembra. Einecke recorda, ainda, que Prestes contou sobre algumas críticas que Olga fazia ao Partido Comunista Brasileiro. ''Ela criticava duramente a estrutura do partido pelo nível intelectual dos comunistas brasileiros. Ela se horrorizava com isso''.
Nascida na cidade alemã de Munique, Olga Benário Prestes (1908-1942) desde cedo participou de atividades comunistas e recebeu como uma das mais importantes tarefas de sua vida realizar uma Revolução Comunista no Brasil. Já casada com Luís Carlos Prestes, chefe da chamada ''Intentona Comunista'', Olga foi fundamental no movimento da revolução. No Rio de Janeiro, ela conviveu com os integrantes da liderança do movimento. Com o fracasso da revolução, Olga foi presa e, grávida de sete meses, entregue a Hitler por Getúlio Vargas.
Foi deportada para a Alemanha, onde nasceu sua única filha, Anita Leocádia, tirada da mãe logo depois. Pouco antes de completar 34 anos, Olga descobre que vai para um dos campos de concentração da Alemanha nazista, onde passa os últimos dias de sua vida. Meia hora antes de ser mandada para o local, escreve uma carta à filha e ao marido. Dez dias depois, um caminhão retorna somente com as roupas das mulheres embarcadas para o campo de concentração.
Anos mais tarde, numa manifestação no estádio do Pacaembú, em São Paulo, Luís Carlos Prestes, recém-libertado, recebe uma notícia de um repórter da agência de notícias United Press. Olga estava morta.

mockup