ReproduçãoKiara Kabukuru na capa da edição de julho da revista Vogue americanaAs campanhas publicitárias de moda nos Estados Unidos vivem a maior mudança de estratégia já vista no mercado para satisfazer o crescente público negro. Novas modelos, editoriais e produtos diretamente associados a essa fatia do setor fashion vêm ganhando cada vez mais espaço, em uma movimentação que culminou com a modelo Kiara Kabukuru na capa da edição de julho da ‘‘Vogue’’ americana.
Os últimos dois anos vêm sendo decisivos para a quebra da barreira dos modelos negros nos Estados Unidos. Uma das principais marcas a apostar no público black é Tommy Hilfiger, a que mais faturou no ano passado. Criando uma identificação com o comprador jovem americano, a empresa passou a apostar em modelos negros em suas campanhas de diversos produtos. A estratégia deu resultado: a marca é o hoje a preferida do público black .

ReproduçãoFoto da campanha da Gucci: marketing inter-racialNão demorou para que empresas como a Ralph Lauren, Moschino e Perry Ellis seguissem o exemplo. O que começou como obrigação, por conta da correção política, hoje virou regra. A diferença é que agora os homens negros aparecem não só em propagandas de marcas esportivas, como Fila, Nike e Nautica, e as garotas não são apenas exclusividade de editoriais exóticos ou desfiles com produção étnica, de estilistas como Jean Paul Gaultier.

ReproduçãoTyra Banks: destaque em um mercado em que se pode contar nos dedos modelos de grande sucessoEntre as marcas que vêm apostando na estética negra estão Donna Karan - que fez sua última campanha exclusivamente com a modelo africana Iman, mulher de David Bowie - Gucci - em fotos inter-raciais, outra novidade do novo marketing fashion - e Calvin Klein, nas imagens de seu perfume CK Be.
A estética black virou o hit do momento, se refletindo rapidamente nas revistas de moda. De acordo com a editora da ‘‘Vogue’’, Anna Wintour, é difícil uma edição da revista sair sem um editorial que tenha modelos negras. ‘‘Infelizmente elas não aparecem na capa da Vogue tanto quanto eu gostaria’’, diz ela em seu editorial. ‘‘Espero que a Kiara seja aceita pelos leitores em todos os lugares, não por que ela é negra, mas por que ela é linda’’.
Kiara chega à capa da ‘‘Vogue’’ como destaque em um mercado em que se pode contar nos dedos as modelos negras de grande sucesso. Depois do reinado de Naomi Campbell e Tyra Banks, começam a aparecer as caras da nigeriana Alek e do musculoso Tyson Beckford. Ela aparece no principal editorial - de nove páginas - da ‘‘Elle’’ americana de julho e em propagandas de Moschino, enquanto ele é o principal modelo de Ralph Lauren e foi eleito revelação no VH-1 Fashion Awards.

ReproduçãoImagem publicitária do perfume CK Be, de Calvin KleinDe acordo com as principais agências de modelo dos Estados Unidos, a demanda por modelos negros, homens e mulheres dobrou do ano passado para cá. ‘‘Ninguém mais faz um casting apenas com modelos louras’’, diz Lauren Smith, da Elite. ‘‘O que antes era um fenômeno isolado aqui e ali, agora tomou conta do mercado.’
Paralelamente, crescem cada vez mais as agências de modelo e revistas direcionadas exclusivamente ao público negro. Nos Estados Unidos existem hoje mais de 30 publicações especializadas em beleza, estética e comportamento negro. A tendência deve ainda aumentar por conta da influência de Hollywood, que vem elegendo cada vez mais nomes como Will Smith, Vivica Fox e Chris Rock para o cargo de novas estrelas do cinema.

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