Pérolas aos poucos
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domingo, 21 de dezembro de 2014
Geraldo Bessa<br>TV Press 
A televisão brasileira passa por um momento peculiar. Correndo atrás da audiência perdida e na ânsia de retratar o que é sucesso no País, a programação das emissoras abertas, como um todo, aposta alto em produções de caráter extremamente popularesco. Para efeito de comparação, nos anos 1980, a Globo investia em programas musicais como "Chico & Caetano" e a série "Grandes Nomes". Hoje, exibe especiais rasteiros como "Sintonize" ou "Sai do Chão", onde se limita a mostrar gêneros musicais que ainda vendem discos no País: sertanejo, pagode e axé.
"Não temos preconceito. A ideia é realmente trabalhar com os grandes artistas populares que hoje têm importância no cenário brasileiro", assume Luiz Gleiser, diretor de núcleo da Globo. A saída para quem quer ir além da rasa programação aberta está, é claro, na tevê paga.
A todo momento, canais e programas criam e se reinventam como uma alternativa à linha comercial seguida por emissoras como Globo, SBT e Record. No entanto, suas audiências seguem inversamente proporcionais à qualidade de seus conteúdos. "Na tevê aberta, a sobrevivência do programa depende dos anunciantes e da audiência de forma muito intensa. Na tevê por assinatura, essa situação é mais branda. Isso dá uma liberdade enorme para a livre criação, para fazer coisas diferentes. É por isso que tem tanta gente pensando em formatos para canais fechados", explica Chico Pinheiro, que se divide entre a bancada do "Bom Dia Brasil" e o "Sarau", programa de música e entrevistas exibido pela GloboNews desde 2007.
O canal de notícias da Globosat é movido pela informação, mas vem se abrindo a outros formatos, como a linha de variedades seguida pelo "Estúdio I", apresentado pela jornalista Maria Beltrão. "Sempre quis que o programa debatesse qualquer tipo de assunto sem impostação. Sendo assim, cabe falar sobre os assuntos do dia, mas também sobre filmes e peças interessantes. Tudo é válido e a gente conta muito com a participação do público", ressalta Beltrão.
Sem muito espaço nas redes abertas, a cultura brasileira que não tem tino comercial encontra destaque em canais como o Arte 1 e o Canal Brasil. Operado pelo Grupo Bandeirantes, o Arte 1 acaba de completar três anos de existência e se diferencia pela exibição de filmes clássicos, programas dedicados à dança e inúmeras produções que abordam o universo das artes plásticas, literatura, cinema, fotografia e arquitetura.
Mesmo cientes de que sua programação é feita para um grupo limitado, o canal tenta tratar esses assuntos sem qualquer rebuscamento, na ânsia de cativar um público cada vez maior. "Partir do princípio de que o telespectador médio brasileiro não gosta de arte seria um equívoco. Talvez o assunto ainda não tenha sido apresentado da maneira atraente. E essa é a nossa busca. Falamos e mostramos arte de forma dinâmica e bem ilustrada. Trabalhamos para fazer tudo bem feito e fugir do óbvio", analisa David Feldon, idealizador e diretor do "Arte.TV", nova série do canal.
Idealizado por Rogério Gallo e hoje dirigido por Caio Carvalho, o canal parece seguir pelo caminho sonhado pelo grupo depois de dois anos discutindo o formato. "A gente não abre mão de uma programação que prima pelo que há de melhor. Nossa intenção é prestigiar o público que já tem interesse pelos temas que abordamos, mas também atrair e instigar novos telespectadores", destaca Caio.
Há 16 anos no ar, o Canal Brasil, do sistema Globosat, nasceu pouco depois da retomada do cinema nacional. De "cara", assumiu a função não só de divulgar e exibir a produção recente, como promover a memória cinematográfica do País, dando destaque aos diversos períodos de produção de filmes, como o Cinema Novo, o Cinema Marginal e a Pornochanchada. "O cinema ainda é a nossa base. Mas fomos abrindo cada vez mais o leque de possibilidades do canal. Tudo o que é genuinamente brasileiro tem espaço garantido", valoriza Paulo Mendonça.
Entre os êxitos do canal, estão programas como "Zoombido", apresentado pelo cantor e compositor Paulinho Moska, a pesquisa musical de "O Som do Vinil", e as entrevistas aprofundadas do "Espelho", comandado por Lázaro Ramos. "Saio das gravações do programa pensando no que foi debatido. Não estamos apenas entrevistando pessoas. O 'Espelho' vai além, faz o convidado mostrar o que realmente pensa. O resultado da produção é uma vitória para mim", comemora Lázaro.
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