Marcos NegriniLúcia Wander: ‘‘O curso de modelo vai formar profissionais de vídeo ou passarela entre 8 e 80 anos’’Que seria dos comerciais de enceradeira, fogão e margarina se os modelos que fazem os comerciais tivessem todos 15 anos? Por que depois de uma certa idade, muitos bons modelos, ficam descartáveis? Baseada nessa teoria, a modelo profissional Lúcia Wander, mais de 30 anos, criou um curso profissionalizante dirigido a modelos de todas as idades, e em especial aos que já passaram dos 25 anos. O curso de ‘‘Modelo, Manequim e Aperfeiçoamento Social’’ começa sábado, na Academia Marcia Angeli, Em Maringá. Depois de quatro meses de frequência, o aluno recebe uma carteirinha emitida pelo Sindicato de Modelos e Manequins Profissionais - PR, e será encaminhado às agências de modelos.
‘‘Hoje o mercado é dos jovens e não é só para desfilar nas passarelas. Para comerciais de TV algumas agências preferem usar jovenzinhos bonitinhos ‘‘envelhecidos artificialmente’’ do que chamar alguém mais maduro’’, diz Lucia Wander. A modelo já foi capa de várias publicações brasileiras. Seu rosto apareceu na revista Nova, em diversos comerciais paranaenses e agora está na revista ‘‘Mais Vida’’, da Editora Três, dirigida a mulheres com mais de 30 anos. Seu curso vai preparar e encaminhar alunos para agências descobridoras de talentos como a Model’s Promoters, de São Paulo. ‘‘Diversos profissionais vão orientar sobre moda, postura, teatro, fotografia, TV e vídeo, maquiagem e etiqueta, para gente que pretende fazer comerciais, passarela ou para aprimoramento social’’, diz Lúcia.
Mercado A reclamação da falta de gente madura no mercado de modelos é também de Luerci Gautério Fabretti, dona da Angel’s agência de Maringá especializada em modelos infantis e juvenis. ‘‘Optei por cadastrar crianças porque a procura é enorme e sempre acho trabalho para elas. Já há uma carência de gente entre 35 e 40 anos’’, diz a agente Luerci Fabretti. Ela conta que não se investe muito em adultos porque o retorno é pequeno. ‘‘Sinto até pena de muitos modelos mais velhos que chegam aqui carregando books enormes sugeridos por fotógrafos. Além de pagarem caro o que poderia ser feito com apenas quatro boas fotos ainda esperam anos por uma oportunidade’’, protesta Luerci.
Talvez por esta carência de top models grisalhos que é tão difícil achar um modelo com mais de 30 anos em Maringá. O coreógrafo Namie Wihby, dono da agência ‘‘Up Ages’’ de modelos e manequins, para atender a um cliente num comercial que pedia uma idosa, colocou a própria avó. ‘‘Foi o único jeito. Como nunca tinha feito isso, minha avó Lídia, impressionada com o corre-corre da produção ficou um bom tempo ‘‘fora do ar’’, conta Wihby.
A Up Ages tem colocado muitos modelos de Maringá em comerciais paranaenses de TV. E especialmente no ano passado conseguiu melhorar até o cachê pago pelos clientes, que segundo Wihby, eram irrisórios. Outra melhora constatada no nível dos modelos de Maringá foi a aparência dos jovens. Namie Wihby conta que foram solicitados e encontrados mais modelos com estatura acima de 1,80 m, e gente bem mais bonita do que nos anos anteriores. Mas os mais velhos têm até 22 anos. ‘‘É uma exigência do cliente que quer vender seus produtos em corpos perfeitos, cheios de curvas e com rostinhos jovens e bonitos’’, conta Namie Wihby. Sua agência também funciona como escola profissionalizante e está começando um trabalho de formação de modelos mais voltado às passarelas da moda. O curso tem três meses de duração e ensina conhecimentos gerais de moda nacional e internacional, além de ensinar postura e performance na passarela.
q Curso Profissionalizante de Modelo e Manequim - (de 8 a 80 anos), de Lúcia Wander na Academia Marcia Angeli (Avenida Itororó, 257, fone (044) 222-3939). Começa sábado, dia 8.
q Curso Profissionalizante de Modelo e Manequim de Namie Wihby - Inscrições na Rua Arthur Thomas, 104, fone:(044) 222-5002.

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