A atriz Suzana Vieira já esteve na pele de várias personagens marcantes, mas as que mais se destacaram foram as vilãs, desde a babá Nice de ‘‘Anjo Mau’’, passando pela escandalosa e maquiavélica Rubra Rosa de ‘‘Fera Ferida’’, até a atual a Branca de ‘‘Por Amor’’. Apesar do longo currículo a atriz vê seu trabalho com os dias contados. ‘‘A tendência da tevê é acabar com os velhos e colocar só carinha bonitinha. O que vende é bunda’’, pondera.
A atriz calcula que a safra de novas carinhas e corpos bonitinhos que aparecem na tevê é de 20 a 30 pessoas por ano. ‘‘O duro é você ter de contracenar com gente que esteja de passagem’’, reclama. Fica difícil imaginar a quem Suzana está se referindo. Em ‘‘Por Amor’’, os únicos jovens com quem a atriz contracena mais são Gabriela Duarte, Carolina Ferraz, Eduardo Moscovis, Murilo Benício e Fábio Assunção.
‘‘Na minha época, ser ator era idealismo’’, define. Com 32 anos de carreira, a atriz não aceita que esses novos atores transformem a tevê numa máquina de fazer dinheiro com comerciais, bailes e etc, em detrimento da arte, embora ela mesma participe de anúncios, como o de uma empresa atravessadora de linhas telefônicas no Rio. ‘‘Nesse tempo todo de profissão só tenho uma casa, um sítio e um carro’’, revolta-se.
Baixo nível Suzana se irrita até mesmo com a linha editorial de revistas especializadas de tevê. ‘‘Se você pega uma delas encontra poucas fotos de pessoas realmente talentosas. O que tem é ‘‘Malhação’’ e ‘‘Você Decide’’, detona. O rigor com a imprensa só abranda quando o assunto é o convite para um final de semana na Ilha de Caras. ‘‘Eu a e a Angélica vamos passar o fim de semana lᒒ, conta animada.
A visão de Suzana, porém, é mais ampla. E sua crítica à tevê não se limita apenas ao folhetim. ‘‘A Carla Perez vive aparecendo e vira uma deusa apenas porque rebola em cima de uma garrafa de cerveja’’, acusa. Apesar de falar mal do veículo em que mais trabalha, a atriz tem o cuidado de não bater de frente com os escalões superiores. ‘‘O nível da tevê baixou porque as pessoas estão bitoladas e a informação sexual é só a que interessa’’, diz, apontando as baterias para os telespectadores. Nesse caso inclui-se a própria novela ‘‘Por Amor’’. As tórridas cenas entre Milena, vivida por Carolina Ferraz, e Nando, personagem de Eduardo Moscovis, têm sido verdadeiras polarizadoras de audiência.
Para a atriz, no entanto, há como salvar as novas caras bonitinhas da danação. Mas para isso é preciso que sejam ungidas por diretores competentes. ‘‘O Avancini, por exemplo, é um mágico. Ele consegue transformar uma pessoa sem talento em um bom ator. Mas você não tem sempre um Avancini’’, lamenta. Suzana lembra que ela mesma e Regina Duarte começaram com ele. Em ‘‘Por Amor’’, Suzana Vieira é dirigida por Ricardo Waddington, mas mesmo assim gosta de manter seu estilo pessoal nos personagens. ‘‘Da caracterização da personagem e do visual quem cuida sou eu. Não tenho medo de diretor’’, desafia.
Mas se na novela Suzana aparece toda produzida, na realidade, a atriz gosta mesmo é de ficar à vontade. ‘‘Não posso me sentir estrela o tempo todo. Até porque não sou’’, diz, com modéstia. Longe das câmaras, Suzana desfaz o penteado, tira a maquiagem e coloca uma roupa largada e confortável. Mesmo quando sai na rua, não tem preocupação com a aparência. ‘‘Meu charme está na minha voz, na maneira de andar e na postura de vida’’, acredita. São esses atrativos que, segundo ela, contribuem para o sucesso da vilã Branca e para os 40 pontos de audiência da novela.
Vulgaridade contida Os vestidos e roupas luxuosas de Branca na novela não seduzem Suzana Vieira. Apaixonada pelo visual brega da atriz hollywoodiana Elizabeth Taylor, Suzana não esconde a predileção. ‘‘Gosto mesmo é de roupa de oncinha. Só não uso mais porque meu marido não deixa. Se pudesse andava muito mais vulgar do que ando’’, admite.
No Brasil, a atriz vai atrás de roupas que são baratas e que apresentam a mesma qualidade das importadas. ‘‘A roupa que comprei numa loja popular por R$ 19 tem a mesma fazenda de uma blusa que comprei no exterior por R$ 220’’, contabiliza. Suzana não se incomoda com grifes e não admite ostentação. ‘‘Tenho de mostrar meu talento em outras coisas. Dinheiro não é talento’’, diz.
Cabeça assinada As madeixas loiras de Suzana Vieira para o personagem Branca foram invenção da cabeleireira Ruddy, que cuida do cabelo da atriz há 25 anos. ‘‘Loiro é chique. Tem tudo a ver com o personagem’’, afirma Ruddy. A atriz nem questiona a opinião de Ruddy e confia nela plenamente. Foi assim que durante a novela ‘‘Os Gigantes’’, Suzana radicalizou com a personagem Veridiana. A atriz raspou a cabeça com máquina dois e tingiu os cabelos de loiro. ‘‘Até me maquiar e entrar em cena suei frio. Estava me sentindo outra pessoa. Ficava procurando a Suzana dentro de casa’’, assusta-se.
Cuidar da cabeleira loira, no entanto, dá trabalho. Toda semana a atriz tem de ir ao salão de Ruddy para retoques, além de demorar horas para escovar e fazer o penteado. ‘‘Não aguento esse cabelo muito tempo. Tenho a cabeça quente. Sou histérica, lavo a cabeça duas vezes por dia’’, confessa. Quando não está representando, Suzana gosta mesmo é de ficar de rabo-de-cavalo e não tem nenhum cuidado especial com os cabelos. ‘‘Tenho certeza que na novela vou estar linda. O anormal é me acharem feia na tela’’, gaba-se.Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z NotíciasSuzana Vieira: ‘‘Gosto mesmo é de roupa de oncinha. Só não uso mais porque meu marido não deixa’’Fábio Dobbs
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