Periféricos em foco
Alessa Nara Oliveira/DivulgaçãoFernanda Magalhães levanta questionamentos sobre o corpo humanoPeriféricos em foco
Ranulfo Pedreiro
A revelação de reentrâncias, dobras e digitais das extremidades do corpo humano são ressaltadas na exposição Border, que a fotógrafa Fernanda Magalhães abre hoje, a partir das 20h30 na Sala Celso Garcia Cid, no Cine- Teatro Ouro Verde, em Londrina.
As fotos de mãos e pés fazem parte de uma série de estudos que Fernanda Magalhães desenvolve desde 1993 sobre a obesidade. Os trabalhos ganharam o título genérico de A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia, e apresentam ramificações que, aos poucos, a artista revela ao público.
Border, por exemplo, foi realizado em 1997 como uma visão específica da obesidade. Eu falo da fronteira dos periféricos e mostro que a gordura também está nos detalhes, não só onde estamos acostumados a percebê-la, comenta.
A opção do título em inglês definiu-se pela tradução, que Fernanda Magalhães achou mais aprofundada do que seu equivalente em português: A tradução de Border fala mais da superfície, do limite. Partindo da indução, ela questiona o corpo como um todo, e estende a reflexão aos visitantes da mostra.
Enquanto as fotos ocupam a sala do Ouro Verde, Fernanda atenta para um novo projeto, que vai enfocar a cirurgia de estômago como método de emagrecimento. Para aumentar a compreensão sobre o significado da obesidade, a fotógrafa estuda o tema em áreas diversas.
Fernanda Magalhães/DivulgaçãoLimites e curvas se revelam em fotos sem manipulaçãoAcho que é um trabalho de reflexão meu que alcança muita gente. Alguns se sentem incomodados, outros adoram. Há uma ditadura que atinge as pessoas de uma forma muito forte, acrescenta. O assunto vai além do ideal estético que privilegia a magreza, ganhando complexidade: As pessoas estão começando a discutir o preconceito que têm sobre seu próprio corpo e esbarram na visão da mulher como objeto. O homem gordo é diferente porque tem outros parâmetros, é considerado forte, enfim, há uma série de conceitos formados, acentua.
O debate envolveria ainda a volta das questões humanísticas como prioridade, encerrando um ciclo em que a humanidade se restringiu a uma ótica tecnicista e racional: Acho que isso tem a ver com o redondo, com o sinuoso, com o que não é rígido. A exposição fica aberta à visitação pública até o dia 4.





