Sem espaço no Brasil para mostrar seu trabalho, o cantor Peri Ribeiro ‘‘jogou a toalha’’. Desde dezembro ele engrossa o contingente de brasileiros que trocou os trópicos pela terra do ‘‘Tio Sam’’ em busca de melhores oportunidades de trabalho. A decisão de mudar-se com a família para Miami, ele admite, não foi fácil e ainda lhe provoca sofrimento, mas a cada vez que analisa os rumos da MPB, a certeza de que a medida tomada foi a correta fica mais forte. ‘‘As coisas estão ainda muito no começo, mas estou esperançoso de conseguir realizar por lá um bom trabalho. Estou com muita disposição para isso’’, conta ele.
De olho no interesse e no respeito que o público americano tem pela música brasileira e atento à mais nova tendência do jazz de apropriar-se de ritmos latinos - o movimento é conhecido como Latin Jazz - Peri Ribeiro está lançando, no Brasil, o CD ‘‘A Vida é Só Pra Cantar’’, pelo selo Albatroz, de Roberto Menescal. No disco, sucessos da MPB como ‘‘Sá Marina’’, ‘‘Luz do Sol’’, ‘‘Dinorah’’, entre outros, ganharam nova leitura, com interpretações num ritmo mais aproximado da salsa. Uma gravadora de Miami, garante Peri, já se interessou pelo trabalho, desde que as letras sejam vertidas para o espanhol.
Do alto de uma carreira próxima de completar 40 anos, que totaliza cerca de 60 discos lançados, com direito ainda a incursões no cinema, o filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins resolveu aventurar-se também pelo mundo das letras. Seu primeiro livro, sobre a vida dos pais famosos, que tem o título provisório de ‘‘Minhas Duas Estrelas’’, está pronto e deve ir para as prateleiras das livrarias em breve. Mas, como o forte de Peri Ribeiro, não resta dúvida, é mesmo a música, ele já se debruça sobre os projetos de um disco com poemas musicados de Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes e um outro sobre a obra de Herivelto Martins.
No ano passado você se envolveu numa briga pública com seus irmãos (filhos de uma segunda união de Herivelto) por conta de passagens da vida de seus pais que você narra no livro que está escrevendo. Isso pesou na sua decisão de ir embora do Brasil?Arquivo FolhaPeri Ribeiro: Há uma profusão de ‘‘tchans’’ e bumbuns na tevê que beira a obscenidadeBebel Nepomuceno
Agência Estado

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