Como lembra a poetisa curitibana Adélia Maria Woellner, que foi amiga pessoal de Helena Kolody, no documentário ''Helena Kolody: 100 anos'', ela era também denominada como o ''perfume da poesia''. Dona de uma poesia lírica, repleta de elementos da natureza, espiritualidade, aspectos filosóficos e reverência à vida, a poetisa também amava a sua profissão de professora, que considerava sua vocação, sua escolha. A poesia, segundo ela, veio de repente, como num sonho, que independe da vontade para acontecer.
Com uma delicadeza peculiar, tecia seus versos - aparentemente singelos e simples. Costumava dizer que não devemos reclamar da vida. É preciso ver os fatos de pontos de vista diferentes - ''o sol sempre está em algum lugar...'', afirmava.
Do sonho frustrado de ser mãe, restou uma generosidade ímpar e uma produção literária profícua. Na infância, conta que teve uma experiência mística em meio a delírios provocados por uma febre espanhola. Apaixonada por doces, não rejeitava nenhum quitute.
Em conversas com o amigo e poeta curitibano Hamilton Faria, afirmava que a cor da sua poesia era azul, que se tivesse uma nota musical seria si bemol (''serena'') e que se fosse um animal seria um caramujo. (A.P.N.)

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