Performance que já chega premiada
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terça-feira, 09 de maio de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Ao som nostálgico de Glenn Miller, o Ballet de Londrina deverá surpreender o público londrinense com o espetáculo Fale Baixo, com estréia prevista para o dia 1º de Julho, no Teatro Ouro Verde. Assim como a música suave de Miller, que serviu de bálsamo para as feridas que ficaram no pós-guerra, a companhia traz um espetáculo centrado na dança contemporânea, sem utilizar outras linguagens cênicas, que vêm marcando os últimos trabalhos do grupo. E o melhor é que Fale Baixo já vem premiado. Na semana passada, o projeto de concepção do espetáculo recebeu o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna. O prêmio, no valor de R$ 30 mil, veio em boa hora e o recurso servirá para finalizar a montagem. Ultimamente estamos nos mantendo apenas com recursos do município e o prêmio serve de alívio financeiro, explicou Leonardo Ramos, diretor do Ballet de Londrina.
O título do espetáculo também mexe com a curiosidade de espectador: Fale Baixo traz à tona uma reflexão sobre o excesso de oralidade dos tempos modernos, onde a retórica parece predominar à capacidade de agir. A proposta é que as pessoas abram os poros para outras formas de comunicação, percepção e sensibilidade. A idéia é que se fale menos, pense menos e, de preferência, nem fale, mas aja, ressaltou Ramos.
Concentrado na linguagem da dança, o espetáculo deverá exigir um esforço físico adicional do elenco, composto de dez bailarinos. Ele é mais difícil de se realizar que os Prazeres (última montagem). É uma performance mais árdua, que usa muita força e energia. Eles têm que estar bem todos os dias para executá-lo de forma adequada, disse Ramos, que adiantou que o espetáculo deverá ter 32 minutos de duração. Na primeira parte do programa, deverá ser executada uma releitura do balé Prazeres.
Fazendo um contraponto com a tendência contemporânea de erotização do corpo, a concepção de dança de Fale Baixo busca valorizar os movimentos horizontais, onde os braços chamam o foco de atenção. Queremos ressaltar o poder de comunicação da dança, mesmo que para algumas pessoas ela não seja mais do que um exercício físico, afirmou Ramos.
Outra novidade da montagem é que dessa vez a trilha não será do músico Marco Tureta. A parceria bem-sucedida com Tureta em espetáculos anteriores dessa vez foi mais voltada para a parte técnica do som, em que até os chiados da música original de Miller, em vinil, foram minuciosamente consideradas.
Depois de ficar em cartaz nos dias 1 e 2 de julho, Fale Baixo segue em turnê no Rio de Janeiro de 10 a 13 de agosto , no Teatro Cacilda Becker. De 19 a 29 de julho Leonardo Ramos participa do Festival de Dança de Joinville, como professor convidado, antes que o espetáculo volte a ficar em cartaz em Londrina, de 18 de agosto a 10 de setembro, no Circo Funcart, com ingressos de R$ 5,00 e R$ 2,50.


