Uma caixa preta de 2 metros de altura, com 4 m de comprimento e 1 m de largura instalada no Calçadão de Londrina. Se você topá-la hoje, deixe-se levar pela curiosidade. A caixa, batizada Orgonizador Paduhélio, é o espaço cênico montado pelos participantes do projeto cultural Mascates de Memórias.
O projeto, amparado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), tem como proposta a utilização do teatro como meio de sócio-integração de idosos. Ao longo do ano, seus entusiastas realizaram oficinas de teatro e história oral para moradores de diferentes bairros de Londrina.
O resultado das oficinas poderá ser visto nesta sexta-feira, a partir de 15 horas, em frente ao Teatro Ouro Verde (R. Maranhão, 85). A ''performance'' consiste no relato de lembranças, sonhos e episódios do cotidiano em forma de versos. Ao todo, 35 pessoas participam da apresentação ao lado de atores da Cia de Theatro Fase 3, que encenarão textos da poeta Adélia Prado.
''A idéia é mostrar que um fato banal do dia-a-dia pode se transformar em dramaturgia e ser mostrado ao público'' explica a assistente de direção Tati Costa. Segundo ela, a apresentação vai oferecer ainda uma experiência diferenciada de teatro através da sensibilização dos sentidos da platéia.
''Antes de mostrar as cenas, trabalhamos com o tato, olfato, visão, paladar e audição do espectador. Fazemos um recorte em seu cotidiano. De repente, a pessoa está de passagem por ali para ir a um banco e acaba assistindo a coisas que nunca imaginaria ver'' salienta. Segundo ela, a proposta é atrair o transeunte que habitualmente não frequenta teatro.
Cada sessão dura cerca de 3 minutos, mostrando cenas diferentes, com mudança de atores e iluminação. O projeto Mascates de Memórias instalou-se este ano nos bairros Chefe Newton, Vila Casoni e e Jardim Leonor. As oficinas foram abertas prioritariamente a pessoas de terceira idade, mas envolveram também jovens e crianças das comunidades.
Com direção-geral de João Henrique Bernardi e coordenação de Daniel Choma, foram ministradas por Tati Costa e Fabrício Borges, com assistência de produção de Elaine Melo. O nome ''Orgonizador Paduhélio'', que batiza a caixa e também a performance, foi inspirado nas obras do artista plástico Hélio Oititica e do psicoterapeuta Wilhelm Reich.
O primeiro pelos famosos ''penetráveis'' e ''bólides'', trabalhos que buscavam tirar a arte da bidimensionalidade dos quadros. O segundo pela concepção da ''energia orgone'', teorizada como a energia do prazer, energia vital que influenciaria todo o universo.

Serviço:
Hoje: Performance ''Orgonizador Paduhélio''. Horário: das 15 às 19 horas. Local: Calçadão (em frente ao Teatro Ouro Verde). Entrada franca. Mais informações: www.casadasfases.art.br.

mockup