Perfil conservador
A sociedade brasileira costuma ser vista como sexualmente liberal, principalmente por causa do Carnaval. Na teoria, é isso mesmo. Na prática, porém, não é bem assim. Tanto que, apesar da homossexualidade não ser mais considerado ''tabu'', há sempre demonstrações explícitas de intolerância. Em novelas, personagens homossexuais costumam sair do controle dos autores e serem tratados como assunto estratégico pela emissora. Como o beijo entre Júnior e Zeca, de Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro, em ''América'' que chegou a ser gravado e não foi ao ar. ''Foi uma frustração e um retrato do preconceito'', protesta Gagliasso, que faz o Ricardo de ''Sinhá Moça''.
A autora achou que atualmente o assunto teria aceitação. Ao contrário de outros tempos, como quando fez ''Carmem'', em 1987, na extinta Manchete. Na trama, ela construiu uma imagem positiva de Dr. Junot, empresário durão e pai de família vivido por Maurice Vaneau, antes de revelar que ele era homossexual. ''As pessoas, muitas vezes, já olham com preconceito. Ele era um personagem muito interessante, o contrário de tudo o que o preconceito diz'', garante. (D.O.)





