PERFIL A caminho do estrelato
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de abril de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba Ela conta que nem tinha completado um ano e já balbuciava ritmos. Aos quatro, já falando, esperava a mãe sair de casa para transformar a mesa em palco e soltar a voz. Aos seis participou do primeiro festival de música e ganhou seu primeiro prêmio. Ao completar apenas dez anos, já tinha um CD demo gravado e um vasto material enviado a emissoras de televisão. O resultado foi o convite para participar do programa global ''Gente Inocente'', hoje extinto, mas que abriu portas para Lorenza. A curitibana de apenas 13 anos acaba de gravar as cenas da novela ''Jamais Te Esquecerei'', em exibição no SBT. Depois da experiência como atriz confessa: quer mesmo é cantar.
Apoiada pelo empresário João Lima mesmo empresário de Eduardo Dusek , Lorenza formou uma banda, composta por adolescentes e jovens com idades entre 14 e 22 anos. Ensaia em Curitiba duas vezes por semana e já está em negociações com gravadoras para lançar o disco que deve levar seu nome. No repertório estão músicas compostas pela banda e por Dusek, que depois de ouvir e conhecer a adolescente assumiu o papel de padrinho musical da cantora.
Lorenza, que já cantou sertanejo e hoje ''não gosta desse ritmo'' está apostando no pop rock para embalar o disco, que deve ser gravado em breve. ''Hoje gosto mais de baladinha'', confessa. No seu repertório, nada estilo Wanessa Camargo ou Sandy e Júnior. ''Não acho ruim, mas não gosto mais desse estilo'', revela a cantora e atriz.
A garota cresceu entre tios pianistas e aprendeu a tocar o instrumento cedo. Mas na família, foi a irmã que descobriu o talento precoce e a incentivou. Desde pequena escutava os discos do pai, o que significava muita MPB das ''antigas'' no aparelho de som. Elis Regina por exemplo, nem de longe faz parte da geração da menina, mas está entre as cantoras favoritas da jovem artista.
E foi um repertório calcado na MPB que Lorenza levou para o programa ''Gente Inocente'' para participar do quadro ''Cantando no Chuveiro''. O quadro contava com participantes mirins que se apresentavam para alguns jurados. Se o desempenho do candidato fosse bom, a mãe ou o pai da criança se livravam de uma chuveirada atrás do palco. Lorenza livrou a mãe, Janete Chiamulera, do banho e participou de mais duas etapas do programa. Na última foi eliminada ''por causa da escolha da música, uma canção internacional meio lenta'', conforme ela mesmo justifica.
Sua atuação, porém, lhe valeu um convite para participar do programa, fazendo homenagens para os artistas convidados. Para participar das gravações, durante três a quatro dias por mês, no Rio de Janeiro, teve que diblar as faltas na escola. Fazer as lições à distância e se empenhar em dobro nos estudos. ''Tive o apoio das minhas amigas e isso me ajudou muito'', conta. Além disso, foi no programa que Lorenza aprendeu a interpretar, arte que até então se revelava tímida para ela.
Quando o programa acabou, Lorenza diz que ''ficou chocada'' com a notícia, já que já tinha se acostumado ao ritmo intenso e a fama, que, garante não mudou a sua personalidade. A tranquilidade durou pouco. Os pais da garota procuraram insistentemente o empresário João Lima para acompanhar a filha, ao mesmo tempo que mandavam as fitas do programa global para outras emissoras.
Depois de alguma resistência, Lima ouviu o material da garota e, confessa, ficou impressionado. ''Ela se destaca pela qualidade'', garante. E foi por esse motivo que ele resolveu acompanhar a cantora e traçar alguns objetivos para que ela não seja um produto descartável na mídia.
Para gravar as cenas de ''Jamais te esquecerei'', por exemplo, ele conta que ensaiou pessoalmente a menina. O convite para a novela surgiu depois que o núcleo de produção de elenco do SBT assistiu às fitas da garota em ''Gente Inocente''. Na novela, primeira na carreira de Lorenza, a curitibana interpreta Beatriz, uma garota diferente dela em alguns aspectos, mas semelhantes em outros, conforme revela a atriz.
Lorenza conta que o desafio maior na interpretação de Beatriz, uma menina órfã bem ao estilo de personagens de novela mexicana, foi chorar. ''Eu usava lentes e isso ajudava um pouco porque era só apertar o olho um pouquinho e olhar para o sol'', diverte-se. Mas não esconde que várias vezes teve que se valer de recursos cênicos, como o colírio, para fazer as cenas. ''Hoje se fosse chorar para interpretar algum personagem acho que seria mais fácil'', imagina.
Mas a adolescente ''elétrica'' como ela mesmo define, não pretende investir na carreira de atriz, exceto que apareçam outros (e bons) convites. O que Lorenza pretende mesmo é cantar. ''Quando não estou cantando, estou cantando'', brinca. Mas para quem quer ver o desempenho da pequena notável antes de seu disco ser gravado pode sintonizar a novela.


