PERFIL - Uma estrela de olhos puxados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de agosto de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Carinhosamente chamada de ''Iaiá'' pelos conhecidos, dona Aya Ono, 77 anos, é só sorrisos depois que recebeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado pela sua atuação em ''Gaijin Ama-me Como Sou'', de Tizuka Yamasaki que também conquistou os prêmios de Melhor Direção e Melhor Filme. Ontem, na sua casa, era quase impossível ela ter sossego. Não parava de dar entrevistas para os mais diversos veículos de comunicação interessados em saber um pouco mais sobre a nossa mais recente celebridade, chamada de ''miss simpatia'' em Gramado, com unanimidade da crítica especializada. O filme deve entrar em cicuito nacional no dia 2 de setembro.
No meio das suas flores, que cultiva com imenso carinho na sua horta, dona Aya contou que nunca sonhou em ser atriz. ''Foi uma emoção muito grande quando me chamaram para subir no palco. Essa semana tem sido um sonho'', ressaltou. Fotos e pedidos de autógrafos também foram comuns durante a sua passagem por Gramado e recorda com bom humor das inúmeras vezes que foi chamada pelos participantes do festival de ''gracinha'' e ''fofa''.
A idéia de participar no filme veio da filha mais nova, Érica, que no último dia insistiu para a mãe se inscrever no teste de seleção, em que também acabaram passando como figurantes mais três pessoas da família Ono. No primeiro teste, em que ela tinha que fazer uma cena de briga com um homem, o resultado não foi muito bom, mas, no segundo, em que ela representou a filha que ao lado do túmulo dos pais tinha que pedir perdão por não tê-los reencontrado no Japão antes que eles morressem, a emoção foi latente e não teve quem não se emocionasse e segurasse os aplausos. Entre as cenas mais difíceis, aquelas em que usou roupas pesadas de inverno sob um sol de 37 graus, em Londrina, para representar inverno do Japão.
Feirante por 50 anos, dona Aya chegou no Brasil aos cinco anos, com os pais e mais três irmãos. Morando inicialmente em Cafelândia (SP), onde recorda que a mãe chorava todos os dias, contraiu malária e acabou se mudando com os pais para Arapongas. Aos 19 anos, se casou, em um esquema de casamento arranjado, que não guarda muitas lembranças boas, embora fale com alegria dos sete filhos que resultaram dessa união.
Viúva há 12 anos, dona Aya afirma que foi depois que ficou mais velha que pôde aproveitar mais a vida: ''Antes era só trabalho!'', diz. Hoje ela frequenta o grupo de 3 idade do Sesc, participa assiduamente de festivais de karaokê cujos troféus enfeitam a estante da sua sala , além de cuidar com esmero do cultivo das flores, verduras e plantas medicinais que têm no quintal. ''A minha maior alegria é poder dar de graça esses produtos para os meus vizinhos e as pessoas que precisam'', comenta a nossa simpática atriz, que têm 14 netos.
Questionada se aceitaria, caso fosse convidada para trabalhar em mais um filme, ela não hesitou: ''Ah...a gente vai sim!'', respondeu com firmeza.
Disposição parece não ser problema para a nossa querida ''batyan'', que além de esbanjar talento na arte de atuar, é mostra viva de que as adversidades podem ser superadas sem perder a beleza do sorriso e a sensibilidade. Parabéns e vida longa à dona Aya.


