Curitiba O ator Emílio Pitta costuma dizer que, sobre sua carreira, está ''de bem com o cara lá em cima''. Explica-se: Pitta já viveu no cinema, teatro e novelas, dezenas de papéis religiosos. Os padres estão no topo da lista. Ele volta a viver personagem semelhante em uma participação especial na série ''A Diarista'', a ser exibido pela Rede Globo na próxima terça-feira. O ator já ''casou'' gente conhecida. Desde o casal de ''Os Normais'', no cinema, até Reinaldo Gianechinni na televisão já foram abençoados por ele. ''Agora só falta eu ser canonizado'', brinca o ator. Nascido em Londrina, em 1943, Pitta começou a carreira meio por acaso, quando foi convidado a fazer o papel de Chicó em ''O Auto da Compadecida'', no pequeno teatro de Bela Vista do Paraíso.
O convite, feito no começo da década de 60 alteraria o curso da carreira do então jovem vendedor. Em 1963 ele se mudaria para São Paulo, para estudar teatro com o aclamado Eugênio Kusnet. Na capital paulista Pitta conviveu com os atores do grupo Oficina e Arena, numa época em que o clássico ''teatrão'' estava dando espaço para um fazer cênico mais político. ''Eu assistia às aulas com a Etty Fraser, Renato Borghi, Ítala Nandi...'' lembra o ator sobre os áureos tempos do teatro. Mas para Pitta, a era dourada estava apenas começando. Depois de uma temporada em São Paulo, estudando e fazendo esquetes com o grupo Madureira em espaços fechados, ele voltou à sua terra natal.
Em Londrina passou a desenvolver um importante trabalho em teleteatro na TV Coroados. A série, que muita gente deve lembrar, era chamada de ''O homem que conta histórias'' e exibia episódios de suspense, amor e aventura. Na mesma cidade, produzia aos sábados um programa musical que mostrava o trabalho das bandas do norte do Estado. Mas em meados da década de 60, ele se mudou para Ji-Paraná, na distante Rondônia, inadvertidamente se afastando do meio artístico. Mas o distanciamento durou poucos meses, já que Pitta teve que retornar para o território paranaense para se recuperar de uma malária contraída em Rondônia.
De volta a Bela Vista do Paraíso, Pitta foi ao teatro assistir a uma produção do Teatro de Comédia do Paraná. ''Eu tive certeza que o grupo estava fazendo um bom trabalho em Curitiba e me mudei para a Capital já com a intenção de mergulhar na carreira'', lembra. Desde que começou a carreira de ator, Pitta acumula 71 peças, entre produção, direção e atuação. Como ator, ele enumera: foram 47 espetáculos. Alguns destes, considerados divisor de águas no teatro paranaense, como ''As Bruxas de Salém'', no início da década de 90.
Foi nessa época, que Pitta fez a sua primeira participação numa novela da Rede Globo, ''Sonho meu'', filmada em Curitiba, onde já começou contracenando com Fábio Assunção. Desde então, tem acumulado aparições nas novelas e séries da emissora, além de inúmeros comerciais de tevê. ''Costumo chamar minhas estadas no Projac de 'participações especiais'. Elas me dão muito prazer porque minha carreira ganha mais visibilidade e facilita meu trabalho tanto como ator, como na área de publicidade''. Pois o ator ainda acumula também a carreira de publicitário, onde soma parcerias com grandes nomes da área no Estado.
Mas isso é outra história. Depois de ''Sonho meu'', Pitta participou ainda das novelas ''Da cor do Pecado'', Laços de Família'' e ''Porto dos Milagres'' para citar algumas, além de minisséries como a recente ''Mad Maria''. E se por um lado, as participações na televisão o projetaram para uma carreira nacional, também o afastaram dos palcos. Desde 1998, Pitta não atua no teatro. ''Depois que você começa a fazer televisão e cinema, não tem como trabalhar muito com o teatro, que exige uma disponibilidade maior para as temporadas'', argumenta.
Suas incursões no cinema, também ultrapassam três dezenas de longas e curtas-metragens. O primeiro deles foi a participação do elenco do filme ''A guerra do pente'', de Nivaldo Lopes, seguido de ''A loira fantasma'', também uma produção paranaense. Mas a sua carreira cinematográfica não se encerra no Estado. Além de participar do longa ''Os Normais'', Pitta está no elenco de ''Quanto vale ou é por quilo?'', longa-metragem dirigido por Sérgio Bianchi que teve estréia nacional na última sexta-feira.
Também encontrou tempo para atuar no filme ''Heróis da Liberdade'', que está sendo filmado em Londrina. O longa está na sua fase final de captação de imagem e a intenção é lançá-lo já no ano que vem. Enquanto isso, Pitta prossegue aguardando novos convites. ''Estou em plena atividade e aguardando convites'', avisa.

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