O ponta-pé inicial para que a carreira desse colunista social decolasse foi um tanto incomum: uma insolação sofrida por um colega de quarto foi suficiente para que Oswaldo Militão integrasse a equipe da Folha de Londrina.
Lembrado este ano como o primeiro nome entre os jornalistas do Paraná na pesquisa Top of Mind da revista Amanhã, o colunista nascido em Presidente Bernardes (interior de São Paulo), vai receber o prêmio no próximo dia 30, em Curitiba, motivo mais do que suficiente para resgatar um pouco de sua história de vida e na imprensa.
''Em 1956 eu vim estudar em Londrina para fazer o colegial e acabei indo morar com o Walmor Macarini, que trabalhava na Folha de Londrina e tinha colocado um anúncio no jornal procurando alguém para dividir o aluguel de um quarto na Avenida Higienópolis'', diz Militão. O colunista acredita que sua carreira foi pautada meio por acaso mas, no decorrer do tempo, acabaria enveredando cada vez mais pelo jornalismo.
Depois de se instalar no quarto em que dividiria as despesas com Walmor Macarini, Militão direcionava sua atenção aos estudos. Na época, sua intenção era prestar vestibular para medicina, até que os ventos sopraram noutra direção. ''Um belo dia o Walmor sofreu uma insolação e não tinha condições de ir trabalhar. Ele me perguntou se eu conseguiria ir até o jornal fazer algumas coisas. Eu disse que poderia tentar e que até tinha diploma de datilografia'', orgulha-se. Com muita boa intenção, Militão ouviu atentamente os conselhos do amigo. ''Você vai lá e copia uma poesia, uma receita do dia, preceito de saúde, liga para o cinema e pergunta o nome do filme, o horário e quais são os artistas. Também tem um livrinho com o pensamento do dia. Datilografe tudo e coloque tudo na mesa do Nilson Rímoli, diretor de redação'', orientou Macarini. E assim Militão conquistou espaço na Folha de Londrina, chegando a ''trabalhar'' quatro meses sem ganhar nada. Ajudava na redação, buscava e levava notícias até que foi contratado.
O início de sua carreira já dava indícios de que aquele jovem de 14 anos, com voz grave e volume alto, tinha personalidade irreverente. Exemplo disso foi o dia em que o livro de poesia desapareceu da redação. Muito perspicaz, não teve dúvida na hora de publicar uma poesia escrita por ele no ginásio. ''Nessa coluna saia Castro Alves, Fagundes Varela e de repente Oswaldo Militão... O Nilson Rímoli ficou louco. Quando ele viu publicado perguntou quem era esse tal de Militão. E disseram que era eu. Mas depois os caras gostaram.'', diverte-se, ressaltando que conquistou nota dez na poesia.
Em 1960, Militão começou a fazer a faculdade de direito na Universidade Estadual de Londrina curso que, segundo ele, metade da redação já tinha feito. Como repórter efetivo, o colunista iniciou sua prática jornalística na editoria de Esporte. Em 1957 a Folha de Londrina criou a primeira coluna social em que era publicada a relação dos aniversariantes fornecida pela Biblioteca Municipal da cidade. ''Era um espaço muito esperado e quem a fazia era o irmão do Nilson, João Rímoli. Ele fazia o editorial da Folha, a ronda policial e uma outra coluna chamada Quatro Cantos. Além disso escrevia a coluna social, mas com o pseudônimo Sady Safady'', comenta.
Segundo Militão, a coluna tinha como principais fontes Roberto Koln que era ligado ao teatro e Luiz Araújo presidente do Country Clube, pessoas bem-relacionadas que frequentavam as grandes festas da cidade. ''Paralelamente à editoria de Esporte, onde assumi o cargo de sub-editor, ia atrás de outras informações para alimentar a coluna; no Grêmio, Aeroclube de Londrina, Associação Comercial, Associação Rural e outros lugares'', acrescenta.
Em 1962, João Rímoli decidiu não fazer mais a coluna, fato que ocasionou um convite para que Militão assumisse o espaço. ''O Nilson chegou e me disse para fazer a coluna social, porque eu já conhecia todo mundo e já estava na faculdade de direito. Fique temeroso porque eu já fazia três páginas de esportes'', diz. Em 1962, Oswaldo Militão assumiu o espaço social assinando seu próprio nome que, anos mais tarde, viraria sinônimo de colunismo.
Mas esse início não foi tão fácil assim. ''O jornalista para fazer coluna social tem que ter um bom carro, uma roupa boa, a namorada tem que ter dinheiro para ir ao salão de beleza e vestir-se bem. O pessoal achava que eu deveria ser um cara acostumado a beber champanhe, fumar charuto e ter um Cadilac rabo-de-peixe. Eu não tinha nada disso; tinha uma terno comprado à prestação'', desabafa.
A TV também faz parte de seu currículo. Também em 62 começou a apresentar um programa de esportes na TV Coroados, seguido por espaço direcionado ao colunismo social televisivo. Personalidades como Elis Regina, Jair Rodrigues e Vera Fischer foram entrevistados por Militão.
E como em qualquer profissão não estamos isentos de cometer gafes, o colunista relembra um fato engraçado. Certa vez, ele pediu para que o fotógrafo fizesse uma imagem do jogador Jairzinho, da Seleção Brasileira, que participava de um jantar dançante. ''A foto foi feita com o jogador dançando, mas havia outro casal em sua composição. Fiz a legenda e a página foi para a gráfica para ser impressa. Somente no dia seguinte uma leitora ligou para a telefonista, que imediatamente ligou em casa, às 8 horas da manhã e disse 'Militão, você já viu o jornal? Então veja agora'. Fiquei pasmado! O outro casal que apareceu na foto mostrava o homem com a braguilha aberta e seu pênis para fora'', diverte-se, lembrando que nesse dia o jornal quebrou recorde de venda, perdendo apenas para a edição em que Jânio Quadros renunciou.
Com 43 anos de existência, a coluna de Oswaldo Militão é ainda hoje uma das mais lidas. Este ano, ele conquista o primeiro lugar na pesquisa Top of Mind sendo apontado como o jornalista mais lembrado do Paraná. Militão, que recusou convites para trabalhar no exterior e no Rio de Janeiro, confessa que é um repórter entusiasmado com o que faz. ''Acho que esse prêmio é uma grande gentileza do povo para comigo. E o dedico a toda equipe da Folha; do boy ao diretor do jornal, porque sem eles eu não seria nada. E que o leitor que lembrou de mim continue tendo a Folha de Londrina como sua grande parceira'', finaliza, com o sorriso que é sua marca registrada.


RAIO X

Conheça as preferências de Oswaldo Militão

- Um filme - 'O Poder da Notícia', que conta a história de Walt Winchell, o primeiro colunista social norte-americano
- Uma mulher elegante - Arani Mascaro Garcia Molina, uma grande amiga e baita coração
- Uma bebida - água
- Um país - Brasil, porque o nosso povo é ótimo
- Um livro - Qualquer livro sobre História e jornalismo
- Uma música - 'Minha Namorada', composta por Carlos Lyra, interpretada por Wilson Simonal, porque fala da melhor coisa da vida que é o amor

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