PERFIL - O eterno infante
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segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Mariana Trigo<br> TV Press 
Daniel Azulay está de volta. Em negociação com a TV Rá Tim Bum, da TV Cultura, o apresentador de programas infantis promete restaurar o formato educativo da programação infantil. Aos 59 anos de idade, Daniel Azulay afirma que se sente com 18 anos. ''Esta é a minha idade mental'', diverte-se o criador da ''Turma do Lambe-Lambe'', exibido na Rede Brasil de 1975 a 1985. Com conteúdo educacional, a produção contava com quadros que ensinavam as crianças a desenhar e a montar bonecos a partir de sucatas domésticas e materiais reciclados. ''Eu tirava a criança da passividade. Comigo ela não ficava na frente da tevê comendo e bebendo refrigerante. Ela interagia'', valoriza.
Distante da telinha há exatos 10 anos, quando o programa ''Oficina de Desenho Daniel Azulay'' saiu do ar na Band, o artista plástico assume que não se sente muito à vontade para criticar a atual programação infantil da tevê. De uma época que ainda não existiam louras na apresentação dos programas para os pequenos, como ele mesmo diz, Daniel acha que atualmente as crianças assistem a vários ''entulhos'' na tevê. ''O ibope é disputado por desenhos, não pelos programas. Esses desenhos saem de graça para as emissoras na compra dos pacotes de filmes. E os desenhos têm personagens que apenas estimulam a compra de lancheiras. Meu Deus! As crianças consomem lixo descartável'', dispara.
Acostumado a fazer programas artesanais com recreação, Daniel garante que não é preciso ser didático para fazer um bom programa infantil. ''As emissoras viraram balcões de negócios. Esqueceram que têm um compromisso ético com a formação, com a identificação da cultura brasileira'', ressalta. Talvez por pensar desta forma, Daniel esteja fora da programação. Em negociações com a TV Rá Tim Bum para fazer um programa nos moldes do antigo ''Turma do Lambe-Lambe'', o apresentador só teme que as pessoas confundam seu retorno com um ''revival'' da época.
O mesmo temor surgiu quando foi convidado pela Futura, da Globosat, para gravar o piloto de ''Azuela do Azulay''. O programa acabou virando um especial de final de ano do canal em 2003 e 2004 e arrecadou diversos prêmios internacionais na categoria de programa infantil. ''Mas não passou disso. Diziam que era um programa impecável, mas caro de produzir'', lamenta. Mesmo assim, Daniel diz que não quer deixar a peteca cair e garante que sua produção artística só aumentou quando deixou a telinha. Em 1988, Daniel ampliou seus cursos de desenhos por todo o Brasil lançando a franquia da ''Oficina de Desenho'', com 17 franqueados, além de criar o projeto social ''Crescer Com Arte'', que hoje conta com 5 mil crianças. Fora isso, o artista plástico passa grande parte do ano viajando pelo exterior com projetos de arte e preparando exposições de suas telas. E ainda planeja o lançamento em DVD com vários programas da ''Turma do Lambe-Lambe''. ''Tudo é somatório. As pessoas ficam curiosas se estou velho,careca e barrigudo. Continuo a mesma coisa e com o mesmo pique'', gaba-se.
Para Daniel, o que mudou mesmo foram as crianças. ''Na época dos meus programas, elas eram mais ingênuas porque o mundo era mais romântico, menos agressivo. Hoje elas estão mais espertas e desconfiadas'', compara o apresentador, que volta e meia ainda se comove com os fãs que não se esquecem dos personagens do programa. ''É impossível também não lembrar do Maracanã lotado, com dezenas de milhares de pessoas cantando 'Algodão Doce'. Até hoje, o que mais escuto é 'obrigado por ter animado a minha infância''', emociona-se.


