Uma mulher tem mais poder de fogo na ''Tropa de Elite'' - trama do diretor José Padilha - que a força bruta do capitão Nascimento, do ator Wagner Moura. Uma personagem com ar blasé e que faz parte da patotinha de universitários maconheiros do filme, mas que a interpretação da atriz maringaense Fernanda Machado transformou na doce Maria.
Não é novidade entre roteiristas e diretores costurar um romancezinho no enredo para que qualquer história a ser contada se torne mais palatável.
Foi assim também com ''Tropa de Elite'', filme baseado no livro ''Elite da Tropa'', do ex-comantande do Bope, Rodrigo Pimentel, co-roteirista do longa-metragem, que foi expulso do batalhão por indisciplina.
''Fiz teste para ser a personagem Roberta no filme, mas na época eu fazia a peça 'Beijo no Asfalto'. Eu estava em Maringá, acompanhando a minha mãe que passava por problema de saúde e não pude ir ao Rio de Janeiro participar de um workshop da produção. Então, o Zé (José Padilha) me ligou, propondo o papel. No início, a personagem seria apenas uma francesa, namorada do André Ramiro. Porém, o diretor disse que Maria amarraria o roteiro'', comentou Fernanda Machado que, recentemente esteve em Maringá para a pré-estréia de ''Tropa de Elite''.
Esse contato do diretor com a atriz, que começou como espectador de Fernanda nos palcos, nasceu Maria, a personagem que deflagra a ''guerra da carne'' - uma carnificina, que tem o capitão Nascimento como comandante.
Para segurar o papel, a atriz abandonou o elenco da peça ''Beijo no Asfalto'', enfrentando dois meses de um treinamento comparado ao dos integrantes do Bope, em que esteve sob o comando da preparadora de elenco Fátima Toledo - admirada por muitos atores, mas praticamente um general, que comanda com mão de ferro a tropa.
''O trabalho dela é de desconstrução, jogando fora toda a nossa vaidade e vícios como ator ou atriz'', lembrou a atriz.
Com ''Tropa de Elite'', Fernanda subiu o morro, sendo que um dos principais sets de filmagem, a Organização Não-Governamental (ONG) em que Maria trabalha, utilizou como cenário uma casa de assistência social da comunidade.
Ela contou que o roubo das armas da equipe de produção deixou o elenco com medo de subir o morro e que as filmagens passaram a ser feitas com mais rapidez.
Para Fernanda, integrar o elenco de ''Tropa de Elite'' foi uma experiência diferente, já que o diretor cobrava o improviso dos atores e que as cenas eram filmadas obedecendo a cronologia da história dos personagens.
''A gente não lia o roteiro antes de filmar, mas o diretor fazia a leitura somente na hora. Às vezes, o Zé mudava tudo, surpreendendo o elenco. Outras vezes, combinava alguma coisa com um ator para ver a reação do outro, o que tornou as cenas mais naturais'', afirmou Fernanda, que situa o filme num momento importante brasileiro em que as pessoas questionam a ética e corrupção.
Na opinião da atriz, Padilha consegue com o filme mostrar as feridas abertas do País de uma maneira quase documental, o que está levando as pessoas a uma discussão importante, através da distribuição do longa, que se tornou um fenômeno da pirataria, ou pelas 250 cópias lançadas para os cinemas, superando as 150 cópias previstas inicialmente.
Passando ao largo dos questionamentos sobre o filme ter ou não um apelo fascista, Fernanda contou que é contratada há três anos da Rede Globo, participando das novelas ''Começar de Novo'', ''Alma Gêmea'' e ''Paraíso Tropical'', na qual interpretou a personagem Joana, chegando a emagrecer quatro quilos.
''Recebi convite para dois longas. Quero fazer muito cinema, que para mim é uma paixão. Vou estudar os roteiros com a minha empresária para decidir qual irei fazer'', revelou Fernanda, acrescentando que um dos filmes seria sobre o poeta do rock brasileiro, Renato Russo.
Interpretando a namorada de Cristiane Torloni, a maringaense deve estrear no começo do ano que vem ''Brilho Oculto'', peça que teve Raul Cortez como protagonista.
A atriz também foi convidada por Denise Saraceni para participar de uma novela e uma minissérie dirigidas pela diretora global, esperando ainda o final da disputa entre emissoras, que querem produzir uma possível minissérie de ''Tropa de Elite''.
Essa é uma briga que não sobe o morro, mas que é travada pelos magnatas da Globo e Record, os dois atuais esquadrões da audiência brasileira.

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