Ela não é conhecida pelo grande público no Brasil, mas quem já a viu cantar, ou tocar, sabe da exuberância do violão e da voz de Badi Assad, que faz show hoje, às 20h30, no Teatro Marista. Considerada uma das melhores violonistas do Brasil, com carreira de sucesso internacional, seguindo os passos dos irmãos também violonistas Sérgio e Odair, do Duo Assad, ela assume de maneira mais explícita no seu oitavo trabalho – ‘‘Wonderland’’ (Edge Music) – a também forte vocação para cantar. Em Londrina, dá continuidade à turnê de lançamento iniciada nos dias 14 e 15, em Brasília.
  Se antes a incomodava o rótulo de ‘‘cantora popular’’, que confirmou em entrevista realizada por telefone, hoje Badi (apelido dado pela sua mãe, que junto com o sobrenome Assad, de origem libanesa, significa ‘o leão milagroso’) se sente confortável com essa nova posição. ‘‘Estou assumindo mais o meu lado cantora. Acho que antes faltava maturidade para assumir isso; parecia que estava abandonando o violão. Agora as duas coisas estão bem equilibradas dentro de mim’’, afirmou.
  Para o novo disco, um time de peso veio com ela. Nos cellos, Jaques Morelenbaum, o renomado produtor de Caetano Veloso; nos saxofones e flautas, Carlos Malta; no contrabaixo, Zeca Assumpção e na percussão, Marcos Suzano.
  O resultado foi um CD primoroso, que tende a ser mais ‘inteligível’ para aqueles que não conheciam o trabalho de Badi, e uma surpresa para os que já são fãs. Menos experimental do que os trabalhos anteriores, onde era comum ela abusar das percussões corporais – ela chegou a ser apelidade de ‘one woman band’ (‘uma mulher banda’), nos Estados Unidos –, o disco surpreende também pela temática das letras. ‘‘Gosto de ter liberdade para variar e dessa vez não tive vontade de usar de ‘experimentalismos’; a experimentação foi em outro sentido. Com certeza, esse é o meu trabalho mais popular’’, comentou.
  A idéia inicial era fazer um repertório que desse continuidade à linha suave e doce de ‘‘Verde’’, lançado em 2004, primeiro disco totalmente concebido e gravado no Brasil. Mas, ao enfrentar alguns problemas pessoais, Badi se deparou com sentimentos não tão agradáveis e acabou imprimindo na seleção das músicas temas mais pesados como a loucura da vida moderna em ‘‘Acredite ou não’’, de Lenine e Bráulio Tavares, que parece ainda mais contemporâneo, mesmo depois de 15 anos da sua primeira gravação, no histórico disco de Lenine e Marcos Suzano, ‘‘Olho de Peixe’’.
  Entre outras mazelas que discorre, fala de preconceito no samba ‘‘A banca do distinto’’, de Billy Blanco. Fala de estupro na misteriosa canção ‘‘Black dove’’, da cantora e compositora americana Tori Amos, que canta com extrema suavidade. Fala de alcoolismo em ‘‘Vacilão’’, originalmente um samba de Zé Roberto gravado por Zeca Pagodinho, transformado em um delicioso blues com a participação vocal de Seu Jorge. Fala também da perda de identidade cultural em ‘‘From United States of Piau풒, velho baião de protesto de Gonzaguinha, cuja história da prima do Piauí que deixou de fazer renda para ver novela ganha nova dimensão num mundo em que a globalização transformou-se na questão central. No final, presenteia o ouvinte com duas gravações dela cantando ‘‘Estrada do Sol’’ (Tom Jobim e Dolores Duran), aos 4 e 6 anos de idade, que já demonstram o poder da sua voz.
  ‘‘O resultado sonoro não é pesado, o que há é um certo desconforto com relação às letras, que falam no sentido ‘macro’ e ‘micro’ de sentimentos díspares, dissonantes e tão contemporâneos’’, ressaltou Badi.
  A idéia de dar o título irônico de ‘‘Wonderland’’ ao novo trabalho fonográfico – tirado do nome original inglês da obra-prima de Lewis Carroll, ‘‘Alice no País das Maravilhas’’ – teve contribuição do cantor e compositor Chico César (presente com a letra de ‘‘Zoar’’, oitava faixa do disco). Amigo íntimo de Badi, foi ele quem deu a ela uma edição do livro, já no meio do processo do disco, intuindo assim para onde ia a inspiração da amiga. Que desvela, por trás do espelho, a realidade da vida.
  No show que realiza em Londrina, além das 13 músicas que fazem parte de ‘‘Wonderland’’, duas composições de ‘‘Verde’’ – ‘‘Não adianta’’ (Badi Assad e Jeff Young) e ‘‘Bachelorette’’ (Bjork). Além de Badi (voz e violão), o show terá o acompanhamento dos músicos Décio 7, na percussão; e Zeca Assumpção, no contrabaixo. Mais informações pelo site www.badiassad.com.br.

SERVIÇO:

- Show com Badi Assad, que lança o CD ‘‘Wonderland’’. Hoje, às 20h30, no Teatro Marista. Ingressos: Ibrahim Presentes (Catuaí Shopping).
R$ 25,00 e R$ 12,50 (meia-entrada e com bônus). Patrocínio: Vectra Construtora. Apoio: Albatroz Turismo, Bontempo, Armazém da Moda, Crystal Palace Hotel, Gráfica Idealiza e Clínica do Lago.

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