Ele trabalhou em filmes-faróis do cinema asiático nos últimos dez anos. Leslie Cheung formou com Gong Li e Zhang Fenji o triângulo amoroso de ''Adeus, Minha Concubina'', de Chen Kaige. E com Tony Leung formou a dupla terminal de amantes gays do sublime ''Felizes Juntos'', de Wong kar-wai.
A felicidade era só uma fantasia de cinema. Na vida, Leslie Cheung, que havia provocado polêmica na China ao assumir-se publicamente como homossexual, em 1997, não resistiu a uma decepção amorosa e jogou-se pela janela do apartamento que ocupava no Hotel Mandarim Oriental, de Hong Kong.
A polícia informou que o ator deixou uma nota explicando as razões de seu gesto, mas resolveu não divulgá-la. A cadeia de TV de ''Taiwan EETV'' disse que, na nota, Leung credita a intenção, afinal concretizada, de suicidar-se por causa de uma rejeição amorosa e também pelas dificuldades que vinha enfrentando na carreira desde que divulgou sua opção sexual.
Leslie Cheung virou um astro em Hong Kong ao co-estrelar, com Chow Yun-fat, um dos primeiros grandes êxitos internacionais de John Woo, ''A Better Tomorrow'', lançado no Brasil como ''Alvo Duplo''. Antes disso, surgiu como cantor pop, depois de vencer um concurso nacional pela TV.
Seus primeiros filmes exploraram o potencial físico, mas logo em seguida Cheung começou a mostrar que não era só mais uma celebridade de outras mídias que tentava a sorte no cinema. Sua atuação como o cantor e dançarino da Ópera de Pequim, especializado em papéis femininos, lhe valeu muitos elogios no filme de Chen Kaige, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, em 1993.
Os elogios foram ainda maiores por ''Felizes Juntos'', que foi rodado parcialmente em Buenos Aires, contando a história do par de Hong Kong que vive uma relação tumultuada no submundo da capital argentina. Há nesse filme um extraordinário uso da cor a sequência do sangue no matadouro , mas o que o espectador retém é a intensidade dos conflitos, que batem na tela numa fusão de ritmos que inclui desde tango até Caetano Veloso.
A agência ''DPA'' não exagerou ao divulgar, em sua reportagem sobre a morte de Leslie Cheung, a informação de que era muito popular na China, em Taiwan e Hong Kong e, principalmente, que era o ator mais fascinante de sua geração (nasceu em 12 de setembro de 1956).

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