PERDA - Último ADEUS de Diamante Negro
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quarta-feira, 11 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Um príncipe predestinado a ser rei e que, de simples passista na infância, se tornou autoridade máxima do Carnaval. Otávio Antônio Silvério, o Diamante Negro, um dos mais simpáticos reis momos londrinenses deixou o trono vazio ao morrer na madrugada de ontem de infarto, depois de três anos consecutivos, comandando a folia no sambódromo da cidade.
Aos 80 anos de idade, Silvério praticamente morreu fazendo uma das coisas que mais gostava - depois do samba: assistir jogos de futebol. Durante a partida Brasil x Uruguai, pela Copa América, anteontem por volta das 22 horas, ele passou mal e foi encaminhado ao Hospital da Zona Norte (HZN) por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu).
Silvério recebeu os primeiros atendimentos no hospital, que por não dispor de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), encaminhou-o à Santa Casa de Londrina (Iscal). ''Gostaríamos de ressaltar que o meu sogro foi muito bem atendido tanto pelo Samu, quanto pela equipe dos dois hospitais'', destacou a nora do Silvério, a aposentada Cleuza Faria Silvério, 54 anos.
O sorriso iluminado de Silvério foi um dos destaques em sua primeira aparição no Carnaval londrinense ao desfilar pela Escola de Samba Império da Zona Norte, o que lhe garantiu no ano seguinte o trono de Rei Momo.
A paixão pelo samba de Diamante Negro vem de outros Carnavais, sendo que por cinco anos, ele foi o Rei Momo da capital paulista, ocupando o trono também em Campinas (SP).
Aos sete anos de idade e, muito antes de sonhar em ser rei, Diamante Negro desfilou fantasiado de príncipe na Escola de Samba da Vila Prudente, em São Paulo. Em 2002, Silvério mudou para Londrina, cidade que afirmava ser o paraíso.
Com 1,78 de altura e uma média de 80 quilos, muito longe dos 135 que chegou a pesar, Silvério estreou no sambódromo londrinense a figura de um Rei Momo mais magro, diferente da que os súditos estavam acostumados.
Silvério era funcionário público aposentado, tendo trabalhado também como motorista da Rede Globo, época em que foi batizado como Diamante Negro. ''Se o meu reinado tivesse algum poder, eu decretaria festa todo dia e também que o Carnaval fosse mais democrático'', afirmou sobre a folia carnavalesca em plena exercício de seu reinado.
A nora de Silvério lembrou que o sogro não gostava somente de samba, mas era bastante religioso, não faltando às missas aos domingos e, por essa razão, o velório foi realizado na Paróquia Santa Cruz, no Conjunto Habitacional Luiz de Sá.
O sepultamento foi ontem à tarde, no Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Norte. Silvério era viúvo e deixou seis filhos, netos e bisnetos, alguns dos quais são herdeiros da paixão pelo Carnaval.


