Apesar das tentativas de manutenção, parece que o fechamento do Teatro Núcleo I, em Londrina, está mesmo definido. O espaço cultural alternativo localizado na Rua Quintino Bocaiúva, 1243 (região central), vai ser fechado a partir de 15 de setembro, depois de 15 anos de existência. O Núcleo I foi um dos principais palcos do Festival Internacional de Londrina (Filo) aliás, o espaço foi criado em 1988, na 1 Mostra Latino-Americana de Teatro.
O último compromisso da agenda do Núcleo I é a temporada do espetáculo ''Out Cry Strindberg'', do grupo Caos & Acaso de Teatro, que termina no final deste mês. A diretoria da Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná (Àmen), que no ano passado assumiu a manutenção e administração do espaço, justifica não ter mais como mantê-lo.
De acordo com o presidente da associação, Luís Bertipáglia, a ocupação do teatro não vinha cobrindo os gastos. ''Não dava para tirar as despesas nem fazer a manutenção dos equipamentos, que também estão defasados'', diz. As despesas do Núcleo I incluem aluguel de R$ 1.589,00 mensais, além de pagamento de água, luz e técnico, o que totaliza mais de R$ 2 mil. ''O contrato da imobiliária, em nome da Àmen, vence no dia 15 e não será renovado'', assegura Bertipáglia.
O presidente da Àmen antecipa que os equipamentos do Núcleo I estarão ''sob a guarda'' da Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da UEL. Todo o material inclui duas mesas de luz de 12 canais (que requerem manutenção) e uma digital (que não funciona, segundo Bertipáglia), uma arquibancada de 80 lugares, cadeiras de plástico e refletores. O espaço não possui equipamento de som.
O fechamento do Núcleo I já foi cogitado no ano passado, com a suspensão do convênio firmado em 1997 entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Grupo de Teatro Núcleo I, então responsável pelo espaço. Em 2002, o local abrigou apresentações do Filo e ainda era usado pelo curso de Artes Cênicas da UEL.
Em setembro, a direção da Casa de Cultura da UEL anunciou que deixaria de pagar o aluguel e os gastos com água e luz, pois teria o interesse de adquirir um espaço próprio no caso, sua atual sede na Rua Mato Grosso. Outro motivo alegado era que universidade estaria arcando com despesas de um espaço particular. Em novembro, a Àmen então presidida por Nitis Jacon já havia assumido a responsabilidade do espaço e, como forma de mantê-lo, abriu a agenda para locação do teatro para a comunidade, com taxas diárias que variavam de R$ 50,00 (ensaios e montagens) a R$ 150,00 (apresentações).
Na época, Nitis Jacon explicou que a Àmen decidiu não se desfazer desse patrimônio, o que seria uma perda para a própria cidade, para o FILO e para o movimento cultural.

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