PERDA - Morte de atriz choca fãs e colegas
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segunda-feira, 27 de março de 2006
Agência Estado 
Morreu no domingo, em São Paulo, a atriz Ariclê Perez, de 62 anos. Ela havia acabado de interpretar a mãe do presidente Juscelino Kubitschek, dona Júlia, na segunda parte da minissérie JK, da Rede Globo. O último capítulo foi ao ar na sexta-feira.
De acordo com o boletim de ocorrência, registrado no 4º Distrito Policial, região da Consolação, a atriz morreu ao cair da janela do escritório de seu apartamento, no 10º andar de um prédio em Higienópolis, centro da capital.
Um sobrinho de Ariclê, cujo nome não foi divulgado, deixou a delegacia às 20h30 sem falar com a imprensa. Segundo as informações passadas por ele ao delegado de plantão, Dodney Charles Muller Martins, a atriz estava sozinha em casa. O acidente teria ocorrido pouco antes das 19 horas. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas não chegou em tempo de prestar socorro. O sobrinho confirmou que não havia sinais de arrombamento no apartamento e que também não teria percebido a falta de objetos. Será aberto um inquérito para investigar a morte.
A delegada Elizabeth Sato, do 78.º DP (Jardins), esteve no local e acompanhou o trabalho de remoção do corpo pelo Instituto Médico Legal (IML), às 22 horas. Segundo ela, a atriz não deixou nenhum bilhete que pudesse explicar as causas de um provável suicídio, não ligou para nenhum parente e deixou a casa arrumada, apenas com a mesa do café da manhã como estava.
A queda chocou moradores e funcionários do prédio e da vizinhança. O zelador César Moura, de 32 anos, que trabalha no prédio ao lado, foi o primeiro a perceber a queda. ''Eu ouvi um estouro parecido com um rojão ou uma bomba. Procurei a origem do barulho e encontrei o corpo dela caído na frente de uma das garagens'', contou. Moura trabalha há 11 anos ali e disse que era um fã de Ariclê. ''Eu a via sempre passando pela rua. Ela era sempre muito gentil'', contou.
Natural de Campinas, Ariclê Perez Rangel iniciou sua carreira em 1976, na novela Canção para Isabel, exibida na extinta TV Tupi. Sua primeira participação na Globo, foi em Meu Bem, Meu Mal, em 1990. Na emissora fez ainda as novelas Felicidade, Salsa & Merengue e Anjo Mal. Participou de Memorial de Maria Moura, Os Maias, A Casa das Sete Mulheres e Um Só Coração, além de JK.
A dramaturga e escritora Maria Adelaide Amaral, que assinou o roteiro da minissérie JK com Alcides Nogueira, era amiga da atriz. Ficou chocada com a notícia da morte. ''Não tenho o que falar. Me desculpe. Não consigo falar. Estou ferida de morte'', disse, bastante emocionada.
O ator José Wilker, que interpretou Juscelino na segunda fase da minissérie e contracenou com Ariclê Perez, soube à noite da morte da colega. Ele estava em Brasília, onde passou o dia. ''A gente nunca está preparado para receber uma notícia dessas'', disse ele, que conhecia a atriz havia 35 anos. ''A última vez que a vi foi quando gravamos nossa última cena da série, justamente quando ela morria, no papel de dona Júlia. Foi uma cena de olhares profundos, de muita emoção.''
Há pouco tempo, Wilker lhe dera de presente um livro de crônicas, ''Como Deixar um Relógio Emocionado'', que ela disse ter adorado e escolhido uma personagem para um dia levar ao palco. ''Ela estava feliz, tinha planos. Não entendo'', desabafou o ator.
A diretora e atriz Bibi Ferreira, amiga de Ariclê, concorda com Wilker. ''Estou muito surpresa. Encontrei Ariclê em fevereiro, ela foi à minha peça (Bibi in Concert 3). Estava alegre.'' As duas trabalharam em Piaf, na década de 80. Ariclê fazia o papel de Marlene Dietrich. Em 2002, fez ''Criador e Criatura - O Encontro de Machado e Capitu, também com direção de Bibi.''


