O mundo dos quadrinhos está de luto. Will Eisner, um dos nomes mais influentes da história das HQs, morreu anteontem, aos 87 anos, de complicações decorrentes de uma cirurgia para colocar um marcapasso, realizada no final de dezembro. Seu trabalho como cartunista, desenhista e roteirista foi decisivo para que os quadrinhos se tornassem uma manifestação artística respeitada, capaz de adquirir importância além do interesse do público jovem.
William Erwin Eisner nasceu em Nova York em março de 1917, filho de imigrantes judeus. Começou a trabalhar com quadrinhos em meados dos anos 30. Uma de suas primeiras criações foi uma das mais importantes de sua carreira: o detetive Spirit, apresentado ao público dos Estados Unidos em 1940, tornou-se extremamente popular. Alguns analistas de quadrinhos chegaram a comparar o estilo de Eisner ao dos pintores expressionistas alemães. O trabalho de Eisner foi interrompido por três anos na década de 40, quando o quadrinhista foi para o exército servir na Segunda Guerra Mundial.
Em 1978, ele assinou ''Um Contrato Com Deus'', renomada HQ que fez com que fosse criado o termo graphic novel, designativo de uma linha adulta de quadrinhos que nortearia a produção da área nas décadas seguintes. Em mais de 60 anos de trabalho, Eisner apresentou diversos álbuns históricos, como ''O Edifício'', ''No Coração da Tempestade'' e ''Um Sinal do Espaço''.
O último item de seu catálogo a ser lançado no Brasil foi ''A Vizinhança - Avenida Dropsie'', ácida reflexão sobre uma comunidade inspirada na realidade do bairro do Bronx. A HQ saiu por aqui no ano passado pela editora Devir, nove anos depois de ter sido editada nos Estados Unidos. A influência de Eisner lhe rendeu o rótulo de ''Orson Welles dos quadrinhos''.
Sua contribuição para as HQs, entretanto, foi além dos desenhos e roteiros. Eisner foi fundador da American Visual Corporation, responsável pela produção de quadrinhos educacionais entre os anos 50 e 70. Ele também foi autor do estudo ''Quadrinhos e Arte Sequencial'' (1985), uma introdução à arte em questão que se tornou referência. Tamanha importância teve reconhecimento em vida: o nome de Eisner foi usado para batizar uma das mais importantes premiações de quadrinhos, realizada anualmente nos Estados Unidos.
Além da influência que exerceu no mundo das HQs, Eisner angariou admiradores entre representantes de outras manifestações artísticas, como o músico Ed Motta e o diretor e dramaturgo de teatro Paulo de Moraes. Eisner deixa a mulher, Ann, e um filho, John. Seu último trabalho, ''The Plot'', deverá ser lançado ainda este ano.

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